{"id":3719,"date":"2018-03-13T21:33:45","date_gmt":"2018-03-14T00:33:45","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3719"},"modified":"2018-03-26T19:56:02","modified_gmt":"2018-03-26T22:56:02","slug":"vitor-diel-uma-dica-de-leitura-para-quem-ama-os-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3719","title":{"rendered":"Vitor Diel &#8211; Uma dica de leitura para quem ama os animais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 bom quando a gente pede algo para algu\u00e9m e acaba sendo surpreendido. Foi o que aconteceu comigo quando combinei de o Vitor Diel escrever uma dica de leitura para o Voos Liter\u00e1rios. Ele resolveu escrever sobre o livro <\/span><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Platero-Eu-Juan-Ramon-Jimenez\/dp\/8578272315?tag=kns00-20&amp;ascsubtag=9f65ce64-2d6a-4b52-a200-5973a3f3457d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Platero e eu<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Juan_Ram%C3%B3n_Jim%C3%A9nez\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Juan Ram\u00f3n Jim\u00e9nez<\/a>, que eu absolutamente desconhecia.<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>O poeta espanhol Juan Ram\u00f3n Jim\u00e9nez ganhou o pr\u00eamio Nobel de Literatura em 1956 e foi influenciador \u00a0de grandes nomes da Literatura, como Garcia Lorca<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Abaixo, segue a dica de leitura do jornalista e editor da fanpage Literatura RS, destaque liter\u00e1rio do Pr\u00eamio A\u00e7orianos de 2016. Um texto po\u00e9tico e sens\u00edvel, combinando com a obra escolhida:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quando falamos dos animais, falamos de n\u00f3s mesmos. A rela\u00e7\u00e3o entre essas duas esp\u00e9cies funciona como um espelho para os arranjos que estabelecemos com nosso psiquismo, nossa sensibilidade e nossos afetos. \u00c9 em fun\u00e7\u00e3o dessa verdade, ainda um tanto opaca, que com frequ\u00eancia nos sentimos especialmente tocados pelas narrativas sobre os animais. Por isso, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Platero e eu<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Juan Ram\u00f3n Jim\u00e9nez, \u00e9 e sempre ser\u00e1 uma das hist\u00f3rias mais delicadas e sens\u00edveis j\u00e1 produzidas pela literatura espanhola.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 pelas lentes dos olhos do burro Platero que conhecemos o universo do povoado de Moguer. O personagem-narrador conduz Platero com ternura e amor por entre situa\u00e7\u00f5es que revelam a dor, a injusti\u00e7a, a alegria, a simplicidade, a mal\u00edcia, a car\u00edcia, a crueldade e o lirismo que existe na vida. A ingenuidade do animal, que \u00e0s vezes zurra, como zurram os burros, \u00e9 tamb\u00e9m a ingenuidade do narrador, cora\u00e7\u00e3o de poeta que sofre com a solid\u00e3o e aspereza do mundo. Moguer \u00e9 amarela, branca e azul, c\u00e1lida e espa\u00e7osa, e est\u00e1 assentada no interior da Espanha do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. O vilarejo recebe de volta o narrador: o filho que retorna e visita suas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia, o t\u00famulo do pai, a casa onde nasceu, os ciganos andarilhos, sempre com o discreto Platero ao lado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A introdu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria j\u00e1 determina a do\u00e7ura da narrativa: <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Platero \u00e9 pequeno, peludo, suave; t\u00e3o macio por fora, que parece todo de algod\u00e3o, parece n\u00e3o ter ossos. Deixo-o solto, e ele vai para o prado, e acaricia mansamente com o focinho, mal as tocando, as florzinhas cor-de-rosa, azul-celeste e amarelo-ouro&#8230; Chamo-o docemente: &#8216;Platero!&#8217;, e ele vem at\u00e9 mim com um trotezinho alegre, como se viesse rindo, como que num desprendimento ideal. (&#8230;) \u00c9 terno e mimoso como um menino, como uma menina&#8230;; mas forte e rijo por dentro, como de pedra. Quando aos domingos, passo montado nele pelas \u00faltimas ruelas da aldeia, os homens do campo, de roupa limpa e vagarosos, ficam olhando: &#8211; Ele tem a\u00e7o&#8230; Tem a\u00e7o. A\u00e7o e, ao mesmo tempo, prata de luar&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A pradaria, a estrada de ch\u00e3o, os terra\u00e7os esbranqui\u00e7ados, as casas antigas, as tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, vemos tudo pelos olhos do burrinho, que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 amigo e companheiro, mas tamb\u00e9m c\u00famplice: &#8220;Trato Platero como se fosse uma crian\u00e7a. Se o caminho se torna escarpado e o peso \u00e9 muito para ele, des\u00e7o para alivi\u00e1-lo. Beijo-o, provoco, ele se irrita&#8230; Mas entende bem que gosto dele, n\u00e3o me guarda rancor. \u00c9 t\u00e3o igual a mim, t\u00e3o diferente dos outros, que cheguei a acreditar que sonha meus sonhos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 136 cap\u00edtulos curtos (articulados com certa independ\u00eancia, numa din\u00e2mica semelhante a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Vidas Secas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, do brasileiro Graciliano Ramos e que tamb\u00e9m joga luzes sobre a rela\u00e7\u00e3o homem-animal atrav\u00e9s da cadela Baleia), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Platero e eu<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> d\u00e1 f\u00f4lego a reflex\u00f5es sobre a solid\u00e3o da exist\u00eancia, a inevitabilidade do fim e a import\u00e2ncia do lirismo e da beleza na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o mundo e consigo mesmo. O burrinho Platero \u00e9 a lente de aumento atrav\u00e9s da qual o narrador revela-nos a realidade material; no caso, carregada de ternura, exatamente como deveriam ser todas as rela\u00e7\u00f5es entre os homens e entre esses e os animais.<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Platero e eu &#8211; edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Juan Ram\u00f3n Jim\u00e9nez<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Ilustra\u00e7\u00f5es de Javier Zabala<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">280 p\u00e1ginas<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">WMF Martins Fontes<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">2010<\/span><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A coluna Voos Liter\u00e1rios est\u00e1 pedindo dicas de leituras para pessoas do meio cultural do Rio Grande do Sul. Tem mais dicas de livros bacanas <a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/voos-literarios\/uma-dica-de-leitura-punk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a> e <a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/voos-literarios\/camila-toledo-uma-dica-de-leitura-muito-util-para-o-carnaval\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quer enviar tua dica para ser publicada? Escreve para flavia@vos.homolog.arsnova.work. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 bom quando a gente pede algo para algu\u00e9m e acaba sendo surpreendido. 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