{"id":3666,"date":"2018-03-02T21:15:06","date_gmt":"2018-03-03T00:15:06","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3666"},"modified":"2018-03-03T11:52:16","modified_gmt":"2018-03-03T14:52:16","slug":"idrissa-ouedraogo-historia-e-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3666","title":{"rendered":"Idrissa Ouedraogo: hist\u00f3ria e mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de uma precis\u00e3o cortante a obra que nos legou o cineasta <strong>Idrissa Ouedraogo<\/strong>, morto em 18 de fevereiro. Nascido em Burkina Faso, Ouedraogo <em>reinventou<\/em> um cinema que ainda inventava a si pr\u00f3prio. Apesar de Burkina Faso ter iniciado uma pol\u00edtica nacional voltada ao desenvolvimento das artes locais que permitiu bom desenvolvimento do cinema em compara\u00e7\u00e3o com os demais cinemas africanos, Idrissa Ouedraogo \u00e9 um dos poucos cineastas do pa\u00eds que conseguiu fazer mais do que um ou dois filmes.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Nesse cen\u00e1rio, ele teve s\u00f3lida e reconhecida obra, nacional e internacionalmente, a partir dos anos 1980, quando come\u00e7a a filmar<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus filmes tiveram penetra\u00e7\u00e3o mundial e, mais importante, visibilidade nos pa\u00edses africanos. Ele instruiu, isto \u00e9, filmou a \u00c1frica para os africanos e nela encontrou tamb\u00e9m as suas obsess\u00f5es tem\u00e1ticas e est\u00e9ticas. S\u00e3o as tradi\u00e7\u00f5es e as transi\u00e7\u00f5es que a vida coloca diante dos indiv\u00edduos as quest\u00f5es que mais lhe interessavam filmar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis um cineasta que vislumbrou uma linguagem particularmente africana (um debate frequente), diante de todas as dificuldades que atravessavam e persistem nas periferias cinematogr\u00e1ficas no mundo.<\/strong> A \u00c1frica ocidental franc\u00f3fona subsaariana \u00e9, como foi sempre, um territ\u00f3rio em disputa pelos imagin\u00e1rios, pelas identidades nacionais, os processos de descoloniza\u00e7\u00e3o que explodiram nos anos 1960 e, finalmente, o neocolonialismo. Uma vez livres da invas\u00e3o colonialista formal, era preciso reconstruir a mem\u00f3ria, tra\u00e7ar uma <em>hist\u00f3ria da mem\u00f3ria<\/em>.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Idrissa as filmou (suas mem\u00f3rias pessoais) ao mesmo tempo em que fornecia as bases para a consolida\u00e7\u00e3o de outras, engendrou uma experi\u00eancia visual que n\u00e3o se acomodou em ser simplesmente pol\u00edtica como muitas vezes se exigiu dos cineastas e demais artistas africanos<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele reconheceu, eu diria at\u00e9 de forma pioneira, que a luta pela restitui\u00e7\u00e3o das identidades nacionais, para al\u00e9m dos esfor\u00e7os de independ\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural, \u00e9 travada tamb\u00e9m por imagens e por palavras, pois \u00e9 preciso discutir a quest\u00e3o das l\u00ednguas africanas por meio do cinema. Estas quest\u00f5es s\u00e3o muito bem colocadas pelo escritor queniano Ngugi Wa Thiong\u2019o, em artigo publicado no livro <em>Cinemas no Mundo \u2013 \u00c1frica: ind\u00fastria<\/em>, pol\u00edtica e mercado, organizado pela Alessandro Meleiro (Ed. Escrituras).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouedraogo foi um cin\u00e9filo e seus filmes mais conhecidos, <em>Yaaba<\/em> e <em>Tila\u00ef,<\/em> s\u00e3o expoentes da coer\u00eancia de seu estilo: um gosto profundo e um interesse claro por preencher o sil\u00eancio com a alma dos indiv\u00edduos que filmava. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o espiritual e material, uma conex\u00e3o entre a terra e os c\u00e9us, os vivos e os mortos. E que n\u00e3o se acaba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste s\u00e1bado, 03, a Cinemateca Capit\u00f3lio, em Porto Alegre, programou uma homenagem ao cineasta, \u00e0s 19h30, onde eu comentarei o legado de Ouedraogo ap\u00f3s a exibi\u00e7\u00e3o de <em>Yaaba<\/em> (1989), um de seus grandes filmes. Ser\u00e1 uma sess\u00e3o especial!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 de uma precis\u00e3o cortante a obra que nos legou o cineasta Idrissa Ouedraogo, morto em 18 de fevereiro. 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