{"id":354,"date":"2017-01-18T13:17:12","date_gmt":"2017-01-18T15:17:12","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=354"},"modified":"2017-02-10T15:23:12","modified_gmt":"2017-02-10T17:23:12","slug":"duas-vezes-bellocchio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=354","title":{"rendered":"Cr\u00edtica &#8211; Duas vezes Bellocchio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O cinema sempre demonstrou dificuldades para filmar as realidades sociais. S\u00e3o poucos os cineastas ou movimentos que conseguiram compor um retrato capaz de alargar, para a realidade da c\u00e2mera (que \u00e9 uma realidade completamente diversa), as tens\u00f5es que circulam na sociedade. A tarefa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e n\u00e3o se pode condenar os aventureiros. Pensador sofisticado, Bellocchio se serve bem neste terreno quando decide nele caminhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre os contempor\u00e2neos, \u00e9 nome raro ao combinar um criterioso pensamento pol\u00edtico, isto \u00e9, dos modos de ver as tens\u00f5es sociais, com um delicado olhar hist\u00f3rico, isto \u00e9, no seu caso, uma observa\u00e7\u00e3o sobre as tradi\u00e7\u00f5es culturais (religiosas, por onde se deve entender cat\u00f3licas) e a sua rela\u00e7\u00e3o com o nosso tempo.\u00a0Sua obra recente o faz ora com mais liberdade po\u00e9tica (<em>Vincere<\/em>, 2009), ora seguindo os ordenamentos mais estritos da cena pol\u00edtica italiana de seu tempo (<em>Bom Dia, Noite<\/em>, 2003, <em>A Bela que Dorme<\/em>, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Seus dois filmes mais recentes mant\u00eam a escrita. <em>Belos Sonhos<\/em> e <em>Sangue do Meu Sangue, <\/em>ambos em cartaz at\u00e9 poucas semanas, viajam no tempo, para l\u00e1 e para c\u00e1, para que suas hist\u00f3rias criem sentidos variados. O tempo flui ex\u00edguo na trama dos filmes, ciente de sua fun\u00e7\u00e3o transformadora. Essas passagens possibilitam uma reconfigura\u00e7\u00e3o, no presente, das percep\u00e7\u00f5es sobre os acontecimentos do passado. \u00c9 impressionante como Bellocchio consegue equilibrar estes tempos e, ao fech\u00e1-los e faz\u00ea-los confluir, destacar o que interessa: as confiss\u00f5es. \u00c9 o que est\u00e1 guardado, adormecido, subterr\u00e2neo, aquilo que se pretende lan\u00e7ar ao mundo novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cineasta livre de tudo o que n\u00e3o contribui ao seu trabalho, ao tratamento visual que pretende dar a cada imagem, ele nos faz lembrar, com <em>Belos Sonhos<\/em>, do seu primeiro longa-metragem, <em>De Punhos Cerrados <\/em>(1965).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos dois filmes, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de instabilidade permanente que irrompe da tela e nos atinge com viol\u00eancia. O drama de seus personagens, al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e, parte da necessidade de encontrar a raz\u00e3o das coisas: da pol\u00edtica, da religi\u00e3o, da cultura, da cidade, da fam\u00edlia, de se adequar, de pertencer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No entanto, nunca temos uma resposta simplificadora. \u00c9 preciso confrontar as imagens. Bellocchio realiza o cinema politicamente. Um cinema feito politicamente \u00e9 um cinema despojado de mensagens como recurso primordial. \u00c9 um cinema que parte da imagem para dar sentido ao mundo. Neste dom\u00ednio temos aqui em expoente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cinema sempre demonstrou dificuldades para filmar as realidades sociais. 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