{"id":3527,"date":"2018-01-25T18:11:44","date_gmt":"2018-01-25T20:11:44","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3527"},"modified":"2018-01-26T09:42:44","modified_gmt":"2018-01-26T11:42:44","slug":"nao-e-qualquer-crime-e-crime-de-odio-e-ele-so-aumenta-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3527","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e9 qualquer crime, \u00e9 crime de \u00f3dio \u2013 e ele s\u00f3 aumenta no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Todos os anos o Grupo Gay da Bahia (GGB) monitora <strong>o assassinato de gays, l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis e transexuais no Brasil.<\/strong> \u00c9 o mais pr\u00f3ximo que existe de uma estat\u00edstica oficial, ainda assim \u00e9 algo bastante prec\u00e1rio e totalmente subnotificado, pois o levantamento se baseia em not\u00edcias nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Ainda assim, os dados s\u00e3o assustadores: 2017 registrou um <a href=\"https:\/\/homofobiamata.wordpress.com\/2017\/12\/31\/brasil-campeao-mundial-de-crimes-lgbtfobicos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aumento de 30% nos homic\u00eddios de LGBTs<\/a> em rela\u00e7\u00e3o a 2016. Foram 445 mortes no ano passado e 343 no ano retrasado.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>A cada 19 horas um LGBT \u00e9 assassinado ou se suicida no Brasil. A impunidade \u00e9 a regra nestes casos, pois menos de 10% das ocorr\u00eancias geraram abertura de processo e puni\u00e7\u00e3o dos assassinos<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes dados j\u00e1 s\u00e3o assombrosos por si s\u00f3. T\u00e3o devastadora quanto a realidade \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o das pessoas com ela. Contrariando todas as indica\u00e7\u00f5es de cuidado com minha sa\u00fade mental e meu bem estar emocional, eu perdi um tempo consider\u00e1vel lendo caixas de coment\u00e1rios de not\u00edcias e postagens que repercutiram o levantamento do Grupo Gay da Bahia. <strong>A constata\u00e7\u00e3o principal que fa\u00e7o me surpreendeu, talvez porque eu esteja acostumado ao conforto da minha pr\u00f3pria bolha: a maioria das pessoas n\u00e3o sabe o que \u00e9 um crime de \u00f3dio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou n\u00e3o sabem, ou n\u00e3o querem mesmo entender. O que observei foi uma rea\u00e7\u00e3o emocional de pessoas cisg\u00eaneras e heterossexuais baseada na sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a que vivenciam todos os dias. Este sentimento deu voz a uma resposta bastante absurda diante das informa\u00e7\u00f5es reveladas pelo GGB. Algo como: \u201cMilhares de pessoas morrem todos os dias\u201d ou \u201cN\u00e3o importa se \u00e9 gay ou n\u00e3o, muita gente \u00e9 assassinada e nem por isso tem a visibilidade que os gays tem\u201d. As vers\u00f5es mais canalhas simplesmente questionam: \u201cE os heterossexuais assassinados?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma confus\u00e3o, intencional ou n\u00e3o, a respeito do conceito de crime de \u00f3dio. Como se os dados trazidos pelo Grupo Gay da Bahia se referissem a qualquer pessoa LGBT morta no pa\u00eds, e n\u00e3o somente \u00e0quelas que foram v\u00edtimas de homofobia, transfobia ou bifobia. \u00c9 evidente que a viol\u00eancia no Brasil chega a n\u00edveis dram\u00e1ticos e atinge todo mundo. Mas pessoas heterossexuais n\u00e3o s\u00e3o assassinadas por serem heterossexuais. N\u00e3o sofrem preconceito devido \u00e0 sua orienta\u00e7\u00e3o sexual. Assim como quem \u00e9 cisg\u00eanero n\u00e3o \u00e9 v\u00edtima de transfobia. As mortes destas pessoas ocorrem pelos mais diversos motivos, que n\u00e3o envolvem \u00f3dio contra sua orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero. Motivos estes que tamb\u00e9m vitimam a popula\u00e7\u00e3o LGBT, ali\u00e1s: latroc\u00ednios, mortes relacionadas ao tr\u00e1fico de drogas etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Os assassinatos de LGBTs monitorados pelo GGB n\u00e3o demonstram crimes comuns, mas crimes de \u00f3dio \u2013 e eles s\u00f3 v\u00eam aumentando no Brasil<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sensibilizar-se em rela\u00e7\u00e3o a esta realidade n\u00e3o vai retirar de ningu\u00e9m o direito \u00e0 seguran\u00e7a. \u00c9 preciso reconhecer que alguns grupos est\u00e3o vulner\u00e1veis a tipos de viol\u00eancia que n\u00e3o atingem a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significa, como incrivelmente muita gente pensa, que ser\u00e1 criada uma casta privilegiada de cidad\u00e3os LGBTs, com direitos extraordin\u00e1rios ou acesso \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica em detrimento dos pobres heterossexuais e cisg\u00eaneros entregues \u00e0 pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se reivindica s\u00e3o pol\u00edticas p\u00fablicas para uma realidade concreta: o combate ao preconceito contra LGBTs. N\u00e3o \u00e9 algo abstrato. O preconceito mata cada vez mais, como demonstra o relat\u00f3rio do Grupo Gay da Bahia. O enfrentamento a ele n\u00e3o se faz apenas com medidas de seguran\u00e7a p\u00fablica ou com a criminaliza\u00e7\u00e3o de condutas ofensivas, mas especialmente com um trabalho preventivo nas escolas. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante que se fale em g\u00eanero e sexualidade nestes ambientes, consolidando uma cultura de acolhimento e compreens\u00e3o sobre a diversidade entre crian\u00e7as e adolescentes. Para que o aluno que chama o coleguinha de viado hoje n\u00e3o se torne o assassino de amanh\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os anos o Grupo Gay da Bahia (GGB) monitora o assassinato de gays, l\u00e9sbicas, bissexuais, travestis e transexuais no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":2221,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[1057,1056,1054,131,134,235,1055,11],"class_list":["post-3527","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-samir-oliveira","tag-assassinatos","tag-bifobia","tag-crime-de-odio","tag-homofobia","tag-igualmente","tag-samir-oliveira","tag-transfobia","tag-vos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3527"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3527\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}