{"id":3404,"date":"2018-01-08T14:42:19","date_gmt":"2018-01-08T16:42:19","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3404"},"modified":"2018-01-08T14:44:42","modified_gmt":"2018-01-08T16:44:42","slug":"oprah-e-luz-no-fim-do-tune","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3404","title":{"rendered":"Oprah e a luz no fim do t\u00fanel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ontem, o Globo de Ouro foi mais do que entretenimento. Muito mais. E especialmente ontem. No tradicionalmente glamoroso tapete vermelho, todos usavam preto e ningu\u00e9m se atrevia a perguntar a proced\u00eancia da roupa, apenas o motivo. No tradicionalmente f\u00fatil tapete vermelho, todos usavam preto como forma de protesto contra os casos de ass\u00e9dio e abuso sexual da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. No tradicionalmente colorido tapete vermelho, todos usavam preto para declarar que acabou o tempo (#TIMESUP) em que as mulheres se calavam diante da injusti\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>E Oprah Winfrey personificou, imaculada, cada gesto dessa luta<\/strong><\/h2>\n<h2><strong>.<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agraciada com o pr\u00eamio Cecil B. DeMille, a apresentadora (e mil coisas mais) e primeira mulher negra a receber a homenagem usou o palco para falar de injusti\u00e7a, desigualdade e do movimento #MeToo. Ela usou o microfone para amplificar a reivindica\u00e7\u00e3o de dignidade em um dos discursos mais impactantes dos \u00faltimos tempos. Falou sobre protagonismo negro, empoderamento feminino e liberdade de imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Se h\u00e1 homens poderosos que tentam objetificar a mulher em cada gesto e fala, h\u00e1 Oprahs para lembrar que somos humanas e fortes<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leia o discurso de Oprah Winfrey na \u00edntegra:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 180px;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/fN5HV79_8B8\" width=\"560\" height=\"314\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em 1964, eu era uma menina sentada no ch\u00e3o de lin\u00f3leo da casa da minha m\u00e3e, em Milwaukee, assistindo Anne Brancoft apresentar o Oscar de melhor ator, na 36\u00aa edi\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio. Ela abriu o envelope e disse cinco palavras que, literalmente, fizeram hist\u00f3ria: \u201cO vencedor \u00e9 Sidney Poitier\u201d. O homem mais elegante que eu j\u00e1 havia visto subiu ao palco. Eu lembro que sua gravata era branca e sua pele era negra, e eu jamais havia visto um homem negro ser celebrado daquela forma. Eu tentei explicar, muitas e muitas vezes, o que um momento daqueles representa para uma menina, uma crian\u00e7a que assiste \u00e0 m\u00e3e passar pela porta morta de cansa\u00e7o de tanto limpar as casas de outras pessoas.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Mas tudo o que eu posso fazer \u00e9 citar as palavras de Sidney em Uma Voz nas Sombras (Lilies of the Field), \u201cAmem, amem. Amem, amem.\u201d<\/h3>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1982, Sidney recebeu, aqui no Globo de Ouro, o pr\u00eamio Cecil B. De Mille. E eu n\u00e3o esqueci que neste momento h\u00e1 muitas garotinhas assistindo enquanto eu me torno a primeira mulher negra a receber esse mesmo pr\u00eamio. \u00c9 uma honra. \u00c9 uma honra e \u00e9 um privil\u00e9gio compartilhar essa noite com todas elas e tamb\u00e9m com os homens e mulheres incr\u00edveis que me inspiraram, desafiaram, apoiaram e tornaram minha jornada at\u00e9 este palco poss\u00edvel. Dennis Swanson, que apostou em mim para o talk-show \u201cA.M. Chicago\u201d. Quincy Jones, que me viu no programa e disse a Steven Spielberg, \u201cela \u00e9 Sophia em A Cor P\u00farpura\u201d. Gayle, que tem sido a defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 uma amiga, e Stedman, que tem sido minha rocha. Apenas alguns para nomear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu quero agradecer \u00e0 Imprensa Internacional de Hollywood, porque n\u00f3s todos sabemos que a imprensa est\u00e1 sob cerco fechado ultimamente. Mas n\u00f3s tamb\u00e9m sabemos que \u00e9 a insaci\u00e1vel dedica\u00e7\u00e3o para descobrir a verdade que nos impede de fazer vista grossa para a corrup\u00e7\u00e3o e a injusti\u00e7a. A tiranos e v\u00edtimas, e segredos e mentiras. Eu quero dizer que eu valorizo a imprensa mais que nunca ao passo em que tentamos navegar por esses tempos complicados. O que me traz \u00e0 isso.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">O que eu sei, com certeza, \u00e9 que falar a nossa verdade \u00e9 a ferramenta mais poderosa que todos n\u00f3s temos<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu estou especialmente orgulhosa e inspirada por todas as mulheres que se sentiram fortes o suficiente e empoderadas o suficiente para falar e compartilhar suas hist\u00f3rias. Cada um de n\u00f3s nesta sala \u00e9 celebrado por causa das hist\u00f3rias que contamos, e neste ano n\u00f3s nos tornamos a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 apenas a hist\u00f3ria que afeta a ind\u00fastria do entretenimento. \u00c9 uma que transcende qualquer cultura, geografia, ra\u00e7a, religi\u00e3o, pol\u00edtica ou ambiente de trabalho. Por isso eu quero, nesta noite, expressar minha gratid\u00e3o a todas as mulheres que suportaram anos de abuso e ass\u00e9dio porque elas, assim como minha m\u00e3e, tem filhos para alimentar e contas para pagar e sonhos para perseguir. Elas s\u00e3o as mulheres cujos nomes n\u00f3s jamais saberemos. Elas s\u00e3o as trabalhadoras dom\u00e9sticas e agricultoras. Elas est\u00e3o trabalhando em f\u00e1bricas e restaurantes e elas est\u00e3o na academia, na engenharia, medicina e ci\u00eancia. Elas s\u00e3o parte do mundo da tecnologia e da pol\u00edtica e dos neg\u00f3cios. Elas s\u00e3o nossas atletas na Olimp\u00edadas e s\u00e3o nossas militares. E h\u00e1 mais algu\u00e9m. Recy Taylor, um nome que eu sei e acho que voc\u00ea deveria saber tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1944, Recy Taylor era uma jovem esposa e m\u00e3e. Ela estava voltando para casa ap\u00f3s celebra\u00e7\u00e3o na igreja que frequentava em Abbeville, Alabama, quando foi sequestrada por seis homens brancos armados, estuprada e deixada no acostamento de uma estrada com uma venda nos olhos. Indo para casa, depois da igreja. Eles amea\u00e7aram mat\u00e1-la caso contasse a algu\u00e9m, mas a hist\u00f3ria foi reportada a NAACP (Associa\u00e7\u00e3o Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor), onde uma jovem trabalhadora que respondia pelo nome de Rosa Parks se tornou a investigadora principal do seu caso e, juntas, elas buscaram justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os homens que tentaram destru\u00ed-la jamais foram processados. Recy Taylor morreu dez dias atr\u00e1s, a poucos dias do seu anivers\u00e1rio de 98 anos. Ela viveu como todos n\u00f3s temos vivido, anos demais em uma cultura destru\u00edda por homens poderosos e brutais.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Por tempo demais, mulheres n\u00e3o tem sido ouvidas ou acreditadas quando ousam falar a verdade ao poder desses homens. Mas o tempo deles acabou. O tempo deles acabou<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu apenas espero, eu apenas espero que Recy Taylor tenha morrido sabendo que a sua verdade, assim com a verdade de tantas outras mulheres atormentadas naqueles anos, e que ainda s\u00e3o atormentadas, segue marchando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estava em algum lugar no cora\u00e7\u00e3o de Rosa Parks, quase onze anos depois, quando ela tomou a decis\u00e3o de permanecer sentada naquele \u00f4nibus em Montgomery, e est\u00e1 aqui com cada mulher que escolhe dizer \u201cEu tamb\u00e9m\u201d (Metoo). E com cada homem, cada homem que escolhe escutar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na minha carreira, o que eu sempre tentei fazer de melhor , seja na televis\u00e3o ou em filmes, \u00e9 falar algo sobre a maneira como homens e mulheres realmente se comportam. Falar sobre como n\u00f3s experienciamos a vergonha, como n\u00f3s amamos e como nos enfurecemos, como n\u00f3s falhamos, como nos retiramos, perseveramos e como superamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu entrevistei e retratei pessoas que resistiram a algumas das coisas mais terr\u00edveis que a vida pode oferecer, mas a qualidade que todos parecem compartilhar \u00e9 a habilidade de manter a esperan\u00e7a de uma manh\u00e3 mais clara, mesmo durante as noites mais sombrias.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Por isso eu quero que todas as meninas que est\u00e3o assistindo aqui, agora, saibam que um novo dia est\u00e1 no horizonte!<\/strong><\/h2>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando esse novo dia finalmente amanhecer, ser\u00e1 por causa de muitas mulheres magn\u00edficas, muitas das quais est\u00e3o aqui nesta sala esta noite, e alguns homens fenomenais, que est\u00e3o lutando muito para garantir que se tornem os l\u00edderes que v\u00e3o nos levar a um tempo em que ningu\u00e9m mais precise dizer \u201cEu Tamb\u00e9m\u201d.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o. Paul Drinkwater \/ NBCPAUL DRINKWATER\/NBC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem, o Globo de Ouro foi mais do que entretenimento. Muito mais. E especialmente ontem. 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