{"id":3238,"date":"2017-12-21T13:59:55","date_gmt":"2017-12-21T15:59:55","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3238"},"modified":"2017-12-22T12:06:21","modified_gmt":"2017-12-22T14:06:21","slug":"sim-e-possivel-ser-lgbt-e-muculmana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3238","title":{"rendered":"Sim, \u00e9 poss\u00edvel ser LGBT e mu\u00e7ulmana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Faz um bom tempo que li este texto pela primeira vez<\/strong>, publicado em julho de 2015 no<a href=\"https:\/\/www.salon.com\/2015\/07\/19\/yes_its_possible_to_be_queer_and_muslim\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> site Salon<\/a>. Desde ent\u00e3o, procuro revisit\u00e1-lo com alguma frequ\u00eancia e sempre encontro nas palavras da autora, a escritora mu\u00e7ulmana <strong>Lamya H<\/strong>, sentidos que a leitura anterior n\u00e3o revelava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por entender que esta discuss\u00e3o praticamente n\u00e3o existe no Brasil, e por <strong>combater frontalmente os estere\u00f3tipos e preconceitos que cercam a comunidade mu\u00e7ulmana e os povos \u00e1rabes em geral<\/strong>, resolvi fazer uma tradu\u00e7\u00e3o livre e imperfeita das palavras de Lamya. Publico seu texto aqui em minha coluna no V\u00f3s na esperan\u00e7a de que suas reflex\u00f5es tamb\u00e9m deixem outras mentes inquietas e, quem sabe, contribuam para mudan\u00e7as em paradigmas j\u00e1 t\u00e3o cristalizados.<\/p>\n<p>_______________________________________________________________________________________<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Por Lamya H*<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu estou empolgada com este encontro. Eu realmente estou. J\u00e1 faz um tempo desde minha \u00faltima decep\u00e7\u00e3o amorosa, e minha melhor amiga tomou para si a tarefa de decidir que chegou a hora de eu seguir em frente. Ela insistiu para que eu baixasse o Tinder e me animou enquanto faz\u00edamos juntas meu perfil. <strong>Fui encorajada a deslizar para a direita algumas vezes e falar com mulheres com quem eu dava um match.<\/strong> Levou algum tempo, mas eu finalmente estou entrando neste clima. E agora eu estou empolgada com este encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela conseguiu se elevar at\u00e9 o topo das minhas crushes do Tinder. Sua originalidade \u2013 um componente essencial de todas as minhas paix\u00f5es \u2013 \u00e9 empolgante. Ela \u00e9 inteligente, engra\u00e7ada e ainda por cima linda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos nos encontrar para tomar um sorvete. Ela est\u00e1 um pouco atrasada. Come\u00e7o a olhar para todos os rostos que est\u00e3o passando ao redor, tentando encontrar alguma semelhan\u00e7a com as fotos que ela postou no Tinder. Queria v\u00ea-la antes de ser vista. <strong>\u201cProcure pelo hijab\u201d, eu havia dito a ela \u2013 um pouco ansiosa por revelar o que h\u00e1 embaixo dos chap\u00e9us nas minhas pr\u00f3prias fotos do Tinder.<\/strong> \u201c\u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o me notar.\u201d Sua resposta indiferente, nem fetichista, nem surpresa, me tranquilizou. Estou empolgada com este encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas&#8230;\u00a0N\u00f3s nos vimos no mesmo instante, trocamos olhares t\u00edmidos e cumprimentos r\u00e1pidos antes de pedir os sorvetes. Nos sentamos e a segunda pergunta que ela me fez foi:<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cEnt\u00e3o, Lamya, me diga como voc\u00ea pode ser l\u00e9sbica e mu\u00e7ulmana ao mesmo tempo?\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre tem um mas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso acontece com tanta frequ\u00eancia que j\u00e1 tenho at\u00e9 uma estrat\u00e9gia. Primeiro, reviro levemente os olhos. Depois vem a resposta pronta. <strong>Digo que diversidade sexual e de g\u00eanero e islamismo n\u00e3o s\u00e3o coisas mutualmente excludentes.<\/strong> Que o Isl\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um mon\u00f3lito. Que o meu Isl\u00e3 \u00e9 amplo e meu Deus, acolhedor. Que a comunidade LGBT tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um mon\u00f3lito, que h\u00e1 diferentes formas de ser LGBT e diferentes narrativas que n\u00e3o se encaixam nos modelos ocidentais de \u201csair do arm\u00e1rio\u201d e reproduzir modelos familiares heteronormativos. <strong>Que as pessoas precisam parar de fetichizar aqueles de n\u00f3s que vivemos nestas intersec\u00e7\u00f5es aparentemente imposs\u00edveis.<\/strong> Que a minha orienta\u00e7\u00e3o sexual e minha religiosidade mu\u00e7ulmana n\u00e3o precisam ser reconciliadas, pois elas est\u00e3o profundamente conectadas e fazem parte de quem eu sou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois que eu termino esse discurso educativo, estou exausta e meu interesse na pessoa evapora. As tentativas de seguir tendo um encontro legal parecem vazias e, depois que um certo per\u00edodo de tempo j\u00e1 passou, eu uso o trabalho como desculpa e vou embora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 \u00e9 tarde quando meu amigo me chama. Do nada, e um pouco depois do hor\u00e1rio apropriado para uma liga\u00e7\u00e3o. O telefone toca uma vez apenas e depois ele desliga. J\u00e1 sei que esse tipo de chamada \u00e9 uma senha para que eu atenda imediatamente quando ele ligar de novo, antes que ele mude de ideia. Ele respira fundo depois do \u201cal\u00f4\u201d e esta \u00e9 minha deixa para assumir o rumo da conversa. Eu me aconchego no sof\u00e1 com o telefone, me acomodo na sala \u00e0 meia-luz, falo um pouco sobre amenidades e coisas do dia a dia at\u00e9 que ele se sinta pronto para conversar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem aos poucos. Ele me conta que seu pai est\u00e1 doente. Que acabou de falar com sua m\u00e3e ao telefone. <strong>Que t\u00eam havido coment\u00e1rios maldosos sobre seu ex-namorado e n\u00edveis pesados de culpabiliza\u00e7\u00e3o.<\/strong> \u201cVoc\u00ea tem rezado?\u201d, sua m\u00e3e lhe pergunta. \u201cVoc\u00ea tem lido o Alcor\u00e3o? Se voc\u00ea lesse, saberia a diferen\u00e7a entre certo e errado.\u201d Ele parece cansado e irritado, mas especialmente cansado.\u00a0 Cansado de alegarem uma rela\u00e7\u00e3o entre ele ser gay e os problemas de sua fam\u00edlia. Cansado de sil\u00eancios e de n\u00e3o poder responder de volta. Cansado de deixar algumas coisas passarem batido em nome da compaix\u00e3o. Ser\u00e1 que os pais dele sabem que ele est\u00e1 sofrendo? Ser\u00e1 que sabem que est\u00e3o magoando ele, que est\u00e3o afastando ele do conforto que encontrou na religi\u00e3o? Suas palavras transformam-se em l\u00e1grimas e eu me pego chorando junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas&#8230;\u00a0Enquanto as l\u00e1grimas d\u00e3o lugar ao sil\u00eancio que se acomoda entre n\u00f3s, ele me faz uma pergunta tranquila:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cComo voc\u00ea consegue, Lamya? Como voc\u00ea consegue ser l\u00e9sbica e mu\u00e7ulmana ao mesmo tempo?\u201d<\/strong><\/h2>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o posso mentir para o meu amigo. Ele sempre esteve presente nos momentos dif\u00edceis. Eu sempre estive presente em seus momentos dif\u00edceis. <strong>Ele sabe o que significa lidar com o fato de ser gay e ser mu\u00e7ulmano<\/strong>. Eu me recuso a respond\u00ea-lo com respostas prontas. N\u00e3o posso usar respostas prontas para ele porque sequer as tenho para mim mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3pria ideia de que tenho que ter uma resposta \u00e9 parte do problema. Como se n\u00f3s f\u00f4ssemos seres est\u00e1ticos que precisam ter tudo solucionado. Como se s\u00f3 fosse permitido viver e amar ap\u00f3s solucionar todos os impasses. Como se n\u00e3o houvesse espa\u00e7o para o amadurecimento, para questionamentos cr\u00edticos ou para aprendizados. Essas s\u00e3o as respostas que eu nunca quero ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas eis algumas coisas que eu sei, algumas possibilidades que encontrei e que tornam poss\u00edvel ser ao mesmo tempo LGBT e mu\u00e7ulmana.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha orienta\u00e7\u00e3o sexual e minha f\u00e9 mu\u00e7ulmana est\u00e3o profundamente costuradas no tecido de quem eu sou. \u00c9 imposs\u00edvel que eu tenha que escolher entre uma coisa ou outra. \u00c9 imposs\u00edvel que eu veja ambas como mutuamente excludentes. Eu n\u00e3o preciso que um Im\u00e3 me diga que posso encontrar conforto e alegria em ambas. N\u00e3o preciso de explica\u00e7\u00f5es nos versos do Alcor\u00e3o e nas Hadith, que frequentemente s\u00e3o citadas em outro sentido. <strong>Eu examinei todas as explica\u00e7\u00f5es e hermen\u00eauticas do Alcor\u00e3o numa tentativa de torn\u00e1-lo mais acolhedor aos LGBTs. Algumas delas me convenceram, outras definitivamente n\u00e3o.<\/strong> Em alguns momentos parecia que eu estava brincando com as palavras, esticando seus significados. Este processo acabou me ensinando que um texto \u00e9 um texto. Textos v\u00eam com contextos e interpreta\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel me apegar ao que dialoga comigo e deixar o resto para l\u00e1. Confiar sobretudo na minha f\u00e9 e na minha pr\u00e1tica, na justi\u00e7a e na compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 desta forma que procuro estender essa compaix\u00e3o aos outros, particularmente \u00e0 minha comunidade mu\u00e7ulmana. Eu n\u00e3o tenho que renunciar a ela e n\u00e3o posso culpar toda uma comunidade por casos de homofobia em um mundo que \u00e9 homof\u00f3bico. <strong>N\u00e3o posso fazer isso enquanto o homonacionalismo e a pol\u00edtica LGBT tradicional v\u00eam sendo utilizados para marginalizar minha comunidade e pint\u00e1-la como atrasada, justificando ocupa\u00e7\u00f5es.<\/strong> N\u00e3o preciso me defender por seguir frequentando a minha mesquita. N\u00e3o preciso justificar a plenitude espiritual e a sensa\u00e7\u00e3o de conex\u00e3o que eu sinto neste espa\u00e7o imperfeito, nesta comunidade imperfeita \u2013 que luta, sim, contra a homofobia, assim como contra o racismo e a misoginia. Uma comunidade que enfrenta simultaneamente a vigil\u00e2ncia e a persegui\u00e7\u00e3o. Que sofre com guerras feitas em nosso nome \u2013 guerras que dizem nos salvar de n\u00f3s mesmos \u2013, com nossas p\u00e1trias sendo bombardeadas por drones. Essa \u00e9 a comunidade imperfeita com a qual eu luto junto, mas ao mesmo tempo contra.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Eu n\u00e3o preciso performar minha sexualidade l\u00e9sbica de uma forma que seja compreens\u00edvel para pessoas heterossexuais \u2013 atrav\u00e9s do casamento ou reivindicando imposi\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas \u2013, ou para outras pessoas LGBTs<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Eu n\u00e3o sou obrigada a tirar meu hijab ou a sair do arm\u00e1rio se eu n\u00e3o quiser. Nem para os meus pais, nem para conhecidos casuais e nem mesmo para os meus amigos<\/h2>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que eu preciso, e o que percebi que n\u00e3o posso viver sem, \u00e9 a minha comunidade. Mais especificamente, a comunidade LGBT mu\u00e7ulmana: uma fam\u00edlia que n\u00f3s escolhemos, composta por pessoas que comem juntas, protestam juntas, onde eu posso ser l\u00e9sbica e mu\u00e7ulmana sem ter que ficar me defendendo, me explicando e me justificando. Uma comunidade com pessoas que comem juntas ap\u00f3s o jejum di\u00e1rio no Ramad\u00e3, que leem o Alcor\u00e3o juntas e que se divertem juntas em passeios na praia. Pessoas que me colocam para cima ap\u00f3s uma decep\u00e7\u00e3o amorosa. Pessoas com quem eu posso contar quando preciso de apoio, porque elas tamb\u00e9m contaram comigo quando precisaram. Pessoas que definem o que \u00e9 compartilhar o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o me entendam mal, ainda assim tem dias em que viver parece imposs\u00edvel. Em que o futuro parece imposs\u00edvel. Dias em que palavras casuais, mas c\u00e1usticas, machucam profundamente. Dias em que choro escondida na escada. Dias em que \u00e9 mais f\u00e1cil apenas dizer as coisas certas, ao inv\u00e9s de realmente acreditar nelas. Dias que parecem insustent\u00e1veis e exaustivos. Dias em que parece mais f\u00e1cil sonhar com solu\u00e7\u00f5es simples, cortar os la\u00e7os comunit\u00e1rios e ser assimilada \u2013 desistir e fingir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m h\u00e1 dias em que se agitam com possibilidades revolucion\u00e1rias: estruturas familiares alternativas e sonhos sobre comunidades mu\u00e7ulmanas LGBTs. S\u00e3o estes dias que fazem tudo valer a pena. S\u00e3o estes dias que tornam poss\u00edvel ser LGBT e mu\u00e7ulmana ao mesmo tempo. Dias em que deixamos os \u201cmas\u201d de lado e apenas somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu conto ao meu amigo sobre estes dias e, ao inv\u00e9s de exaust\u00e3o, sinto apenas al\u00edvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>*Lamya H \u00e9 uma escritora l\u00e9sbica e mu\u00e7ulmana vivendo em Nova York.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Cr\u00e9dito da imagem:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.shutterstock.com\/gallery-1020994p1.html\">Antonio Guillem<\/a>\u00a0via\u00a0<a href=\"http:\/\/www.shutterstock.com\/\">Shutterstock<\/a>\/Salon)<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz um bom tempo que li este texto pela primeira vez, publicado em julho de 2015 no site Salon. 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