{"id":3229,"date":"2017-12-26T12:45:42","date_gmt":"2017-12-26T14:45:42","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3229"},"modified":"2017-12-20T21:00:34","modified_gmt":"2017-12-20T23:00:34","slug":"master-of-none","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3229","title":{"rendered":"Master of None \u2013 Voc\u00ea precisa ver antes de o ano acabar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo epis\u00f3dio da primeira temporada de <em>Master of None<\/em>, da Netflix, um Dev (Aziz Ansari) engasgado ap\u00f3s engolir uma tonelada metaf\u00f3rica de pontos de interroga\u00e7\u00e3o pede socorro a seu pai, Ramesh (interpretado pelo pai de Ansari, Shoukath). S\u00e3o muitos os porqu\u00eas envolvidos em seus relacionamentos falidos e na crescente incerteza sobre o futuro profissional em uma carreira que parece definhar &#8211; os t\u00edpicos fantasmas que saem debaixo das camas das crian\u00e7as assustadas para assombrar todos os trint\u00f5es desencontrados. Dev n\u00e3o consegue decidir. N\u00e3o consegue decidir de quem gosta, qual \u00e9 a mulher certa, o que ele quer fazer da vida. Ele n\u00e3o consegue arriscar. Ele n\u00e3o consegue decidir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Ramesh &#8211; \u201cVoc\u00ea precisa aprender a tomar decis\u00f5es, cara. Voc\u00ea \u00e9 tipo aquela mulher sentada em frente \u00e0 figueira, encarando os galhos enquanto a \u00e1rvore morre.\u201d<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Dev &#8211; \u201cQue mulher? Que \u00e1rvore?\u201d<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Ramesh &#8211; \u201cSylvia Plath? A Redoma de Vidro? Tu nunca l\u00ea, t\u00e1 sempre no youtube&#8230;\u201d<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Eu vi minha vida ramificando-se diante de mim como a figueira verde da hist\u00f3ria.\u00a0Na ponta de cada galho, como um figo gordo e roxo, um futuro maravilhoso acenava e piscava. Um figo era um marido, um lar feliz e filhos, outro era uma poetisa famosa e consagrada, outro era uma professora brilhante, outro era a Europa, a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul, outro era Constantino e S\u00f3crates e \u00c1tila e outros v\u00e1rios amantes com nomes ex\u00f3ticos e profiss\u00f5es exc\u00eantricas, outro ainda era uma campe\u00e3 ol\u00edmpica. E, acima de tais figos, havia muitos outros. Eu n\u00e3o conseguia prosseguir. Encontrei-me sentada na forquilha da figueira, morrendo de fome, s\u00f3 porque n\u00e3o conseguia optar entre um dos figos. Eu gostaria de devorar a todos, mas escolher um significava perder todos os outros. Talvez querer tudo signifique n\u00e3o querer nada. Ent\u00e3o, enquanto eu permanecia sentada, incapaz de optar, os figos come\u00e7aram a murchar e escurecer e, um por um, despencar aos meus p\u00e9s.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><a href=\"https:\/\/www.pensador.com\/autor\/sylvia_plath\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sylvia Plath<\/a> , The Bell Jar. New York: Bantam Books, 1972.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/img-e1513810503155.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3230 aligncenter\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/img-e1513810503155.png\" alt=\"\" width=\"913\" height=\"500\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A s\u00e9rie gira em torno do paradoxo da escolha. Toda escolha tem uma consequ\u00eancia. E, como esclareceu Plath, toda escolha implica na anula\u00e7\u00e3o de outra. Talvez Dev continue n\u00e3o lendo Sylvia Plath, mas ele decidiu. Decidiu ir para a It\u00e1lia aprender a fazer massa e, quem sabe, encontrar algumas das respostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Na segunda temporada de Master of None, Dev j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. Arnold (Eric Wareheim), Denise (Lena Waithe) e Brian (Kelvin Yu) j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais os mesmos. Eles todos est\u00e3o encarando a figueira<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o resultado disso \u00e9 ainda melhor \u00e9 uma primorosa leitura da vida contempor\u00e2nea. Dentre os dez epis\u00f3dios est\u00e1 uma homenagem ao filme <em>Ladr\u00f5es de Bicicletas, de Vittorio de Sica<\/em>; uma celebra\u00e7\u00e3o a Nova York em um epis\u00f3dio totalmente silencioso, produzido a partir da perspectiva de uma pessoa surda; um retrato (desastroso) da cultura do Tinder; outro epis\u00f3dio dedicado inteiramente \u00e0 Denise, em que ela assume sua homossexualidade diante da fam\u00edlia; al\u00e9m de refer\u00eancias \u00e0 Bob Dylan e Vanilla Sky; quest\u00f5es de f\u00e9 e tradi\u00e7\u00e3o, mu\u00e7ulmanos comendo bacon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E preso a essa roda viva est\u00e1 um Dev mais maduro, que se v\u00ea tamb\u00e9m como parte da engrenagem que critica.<strong> Ele continua apontando o racismo sempre que \u00e9 confrontado com isso, mas tamb\u00e9m \u00e9 flagrado repetindo padr\u00f5es.<\/strong> Em um epis\u00f3dio, ele n\u00e3o reconhece seu maquiador, um homem negro, em um ato quase casual de racismo. Ele tamb\u00e9m falha em reconhecer no amigo o comportamento de um predador sexual. Sem contar na ficante racista, problema que ele s\u00f3 aponta depois de j\u00e1 ter transado com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Allora<\/em>, diz Dev constantemente. Aquela palavra que a gente usa para preencher o espa\u00e7o vazio da conversa, que sai automaticamente, sem pensar. <em>Allora<\/em>, com todos os defeitos, Dev est\u00e1 tentando. E n\u00f3s? Estamos? Em termos evolutivos, 2017 foi um ano nulo. Retrocedemos no que tange \u00e0 pol\u00edtica e ao conv\u00edvio social, como se nunca tiv\u00e9ssemos avan\u00e7ado daquele est\u00e1gio de Homo Habilis \u2013 e olhe l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Allora<\/em>, est\u00e1 na hora de parar de encarar a figueira e, finalmente, escolher um figo. E assistir Master of None pode ajudar, definitivamente. Ah, e tem o John Legend tocando piano. <em>Allora&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 210px;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/tGE-Mw-Yjsk\" width=\"560\" height=\"314\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo epis\u00f3dio da primeira temporada de Master of None, da Netflix, um Dev (Aziz Ansari) engasgado ap\u00f3s engolir uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3231,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[203],"tags":[934,439,933,207,206],"class_list":["post-3229","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tao-serie","tag-aziz-ansari","tag-comedia","tag-master-of-none","tag-netflix","tag-series"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3229"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3229\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}