{"id":3153,"date":"2017-12-06T15:17:40","date_gmt":"2017-12-06T17:17:40","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3153"},"modified":"2017-12-06T18:24:48","modified_gmt":"2017-12-06T20:24:48","slug":"padrao-e-segmento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3153","title":{"rendered":"Padr\u00e3o e segmento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Eu entrei para o mundo das s\u00e9ries no ano passado. Demorei porque acreditava que n\u00e3o teria tempo para assistir temporadas e mais temporadas. Comecei com uma s\u00e9rie que todo mundo falava bem: <em><strong>Breaking Bad<\/strong><\/em>. Vi as cinco temporadas e gostei, mas n\u00e3o achei tudo isso n\u00e3o. Tudo bem que n\u00e3o vi na \u00e9poca em que muitos reservaram certo per\u00edodo do dia para ver a s\u00e9rie. Entretanto, s\u00f3 uma das temporadas me chamou a aten\u00e7\u00e3o, a quarta, que cont\u00e9m o personagem Gus Fring (Giancarlo Esposito). Beleza, eu obviamente iria me interessar na trama no momento que veria um semelhante.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6a00d8341bfc7553ef014e8c1ed47f970d-pi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3160\" src=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/6a00d8341bfc7553ef014e8c1ed47f970d-pi.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois da s\u00e9rie do Heisenberg, fui para a da Piper, <strong><em>Orange Is The New Black<\/em><\/strong>. Novamente por indica\u00e7\u00f5es do tipo \u201cvoc\u00ea tem que ver essa!\u201d. Adivinha o que aconteceu? Repeti a obviedade e amei as personagens negras, como a Suzanne &#8220;Crazy Eyes&#8221; Warren (Uzo Aduba), a Tasha &#8220;Taystee&#8221; Jefferson (Danielle Brooks), a Poussey Washington (Samira Wiley) e a Cindy &#8220;Black Cindy&#8221; Hayes (Adrienne C. Moore).<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Eu sabia o porqu\u00ea do meu interesse, era simples: eu me via representado e me enxergava em diversas situa\u00e7\u00f5es interpretadas por elas<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas ent\u00e3o, eu era o cara chato que s\u00f3 gostava das s\u00e9ries que tinham negros? Sim, porque isso realmente acontecia; e n\u00e3o, porque eu n\u00e3o estava fazendo nada de diferente dos meus amigos brancos. Assim como toda pessoa branca se identifica com personagens brancos, eu, negro, me identificava com os personagens negros. <strong>O grande problema dessa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 como nos \u00e9 apresentada essa identifica\u00e7\u00e3o: o branco \u00e9 o padr\u00e3o, e o negro \u00e9 o segmento.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 pesado e triste perceber isso. Uma grande produ\u00e7\u00e3o branca \u00e9 tida como abrangente, todos os p\u00fablicos s\u00e3o obrigados a ver, <strong><em>La La Land<\/em><\/strong> \u00e9 um bom exemplo. Enquanto <strong><em>Moonlight<\/em><\/strong>, a grande produ\u00e7\u00e3o negra \u00e9 espec\u00edfica, direcionada apenas para negros. <strong>Essa \u00e9 a parte triste.<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=FCSh48OlvMo&amp;ab_channel=JayZVEVO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Na m\u00fasica <em>Moonlight<\/em><\/a>, Jay-Z resume o epis\u00f3dio do Oscar no refr\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>\u00a0<em>We stuck in La La Land\/ Even when we win we gon\u2019 lose<\/em> <\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>(N\u00f3s estamos presos \u00e0 La La Land, mesmo quando n\u00f3s ganhamos, n\u00f3s perdemos)<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda sobre o Oscar, a parte pesada \u00e9 ver coment\u00e1rios das pessoas que \u201cs\u00e3o mais compreens\u00edveis\u201d. Casey Affleck e Denzel Washington estavam concorrendo na categoria de melhor ator. Eu li num post de um amigo que: o Casey sabia sentir dor e transparecia isso em seus sil\u00eancios, j\u00e1 o Denzel gritava demais. O personagem que tinha o comportamento padr\u00e3o ganhou. Isso \u00e9 pesado por que? <strong>Porque o papel interpretado por Denzel (Troy Maxson) \u00e9 praticamente o retrato da figura paterna negra. Eu me senti muito ofendido por esse coment\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atualmente, muitas s\u00e9ries est\u00e3o em destaque em redes sociais, mas o padr\u00e3o e o segmento continuam. Pela HBO, <strong><em>Game Of Thrones<\/em><\/strong> \u00e9 o padr\u00e3o e <strong><em>Insecure<\/em><\/strong> o segmento. Pela Netflix, <em><strong>Stranger Things<\/strong><\/em> \u00e9 o sucesso (e tem at\u00e9 um negro) enquanto <em>She Gotta Have It<\/em>\u00a0atingiu apenas o p\u00fablico negro. N\u00e3o \u00e9 errado afirmar que a produ\u00e7\u00e3o multim\u00eddia negra est\u00e1 no seu melhor momento e, mesmo assim, n\u00e3o \u00e9 valorizada. Al\u00e9m das j\u00e1 citadas temos <em><strong>13th<\/strong><\/em>, <em><strong>Greenleaf<\/strong><\/em>, <strong><em>Black-Ish<\/em><\/strong>, <strong><em>Queen Sugar<\/em><\/strong>, <strong><em>How to Get Away with Murder<\/em><\/strong>, <em><strong>Empire<\/strong><\/em>, <em><strong>Atlanta<\/strong><\/em>, <em><strong>Luke Cage<\/strong><\/em>, <em><strong>OJ: Made In America,\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>Scandal, Dear White People e The Get Down (que foi cancelada)<\/strong><\/em>\u00a0como s\u00e9ries de excel\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 errado uma pessoa branca gostar de filmes e s\u00e9ries que a representa. O problema \u00e9 tratar o interesse de uma parcela como o interesse do todo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu entrei para o mundo das s\u00e9ries no ano passado. 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