{"id":3110,"date":"2017-11-28T16:16:08","date_gmt":"2017-11-28T18:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3110"},"modified":"2017-11-28T18:08:15","modified_gmt":"2017-11-28T20:08:15","slug":"caio-f-como-inspiracao-para-sobrevivencia-diaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3110","title":{"rendered":"Caio Fernando Abreu &#8211; Inspira\u00e7\u00e3o para a sobreviv\u00eancia di\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDe cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria, em cada noite, descobrir um motivo razo\u00e1vel para acordar amanh\u00e3.\u201d<\/span><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: justify;\">Caio Fernando Abreu &#8211; <em>Ovelhas Negras<\/em><\/h1>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre que o caos impera internamente e externamente, l\u00e1 vou eu recorrer a Caio Fernando Abreu. J\u00e1 fiz <a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/voos-literarios\/um-alento-em-meio-tormenta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">isso<\/a> durante o m\u00eas de agosto e agora, em meio ao estresse de final de ano, sobrecarga de projetos profissionais somado ao cen\u00e1rio sociopol\u00edtico cada vez mais preocupante, l\u00e1 vou eu de novo recorrer ao meu guru.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2012, escrevi esse texto para justificar a escolha de Caio F. como objeto da pesquisa para a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Letras pela UFRGS:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Minha paix\u00e3o por Caio Fernando Abreu come\u00e7ou de forma quase clich\u00ea: um exemplar de <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Morangos Mofados<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> chegou por acaso \u00e0s minhas m\u00e3os e foi amor \u00e0 primeira leitura. Por tratar-se de uma era ainda pr\u00e9-intern\u00e9tica, nos j\u00e1 long\u00edquos anos 90, pouco sabia sobre o escritor no momento de ler a obra e ainda demorou um tempo at\u00e9 saber algo sobre a vida de CFA. Tempos depois, tive acesso a outros livros, comprados com esfor\u00e7o ou ent\u00e3o pegos por empr\u00e9stimo na biblioteca do Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Depois, veio o objeto de desejo: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Cartas<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, organizado por Italo Moriconi. Era caro para o meu bolso e eu passei meses namorando a obra, pela Internet ou em livrarias. Em um anivers\u00e1rio, ganhei-o de um grupo de amigos, que perceberam que esse seria o melhor presente para uma amante da literatura e f\u00e3 confessa do escritor ga\u00facho.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Li e reli <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Cartas<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> nesses quases dez anos. Naquelas p\u00e1ginas, descobri que CFA atuava no jornalismo por obriga\u00e7\u00e3o, como forma de sobreviver. Ter um ponto em comum com o \u00eddolo sempre \u00e9 uma surpresa para um leitor devoto. Assim, o livro transformou-se em uma esp\u00e9cie de or\u00e1culo para mim. Folheava aleatoriamente o exemplar e come\u00e7ava a ler aquelas linhas que pareciam ter sido escritas especialmente para aquela ocasi\u00e3o. Normalmente, funcionava (e ainda funciona). Em dias de baixo astral, Caio me consolava ao falar da beleza das flores, de como \u00e9 importante cultivar as amizades e de como as possibilidades e impossibilidades do amor s\u00e3o o que h\u00e1 mais de humano em nossas vidas. Em momentos de revolta, principalmente com as injusti\u00e7as da profiss\u00e3o de jornalista, CFA me acalentava, ao sofrer dos mesmos males, ao reclamar dos sal\u00e1rios, das cobran\u00e7as, das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Por amor \u00e0 obra de CFA, adentrei na \u00e1rea de Letras. Primeiro, na gradua\u00e7\u00e3o. Depois, em um desses movimentos que eram t\u00edpicos na vida do escritor mas que aconteceram poucas vezes comigo, acabei saltando para a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o antes mesmo de concluir a faculdade. O destino colocou em meu caminho uma professora especialista no escritor e que, quase por acaso, sugeriu o tema da atual disserta\u00e7\u00e3o: a trajet\u00f3ria de CFA no jornal <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Zero Hora<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, de Porto Alegre. Uni, assim, duas \u00e1reas do conhecimento: o jornalismo, muitas vezes cruel mas ainda necess\u00e1rio para minha subsist\u00eancia, \u00a0e a literatura, minha grande paix\u00e3o desde crian\u00e7a.&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caio me inspira e me d\u00e1 for\u00e7as para seguir adiante. E, como j\u00e1 contei <a href=\"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/voos-literarios\/literatura-mudou-minha-vida-varias-vezes\/\">nesse texto<\/a>, abandonei o jornalismo em reda\u00e7\u00e3o para trabalhar em projetos ligados ao meio editorial, ap\u00f3s tantas inspira\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sigo sendo uma ovelha negra. O que pode ser muito bom, como diz Caio no texto de abertura de <em>Ovelhas Negras<\/em>, obra com uma sele\u00e7\u00e3o de textos escritos pelo autor entre 1962 e 1995: &#8220;Remexendo, e com alergia a p\u00f3, as dezenas de pastas em frangalhos, nunca tive t\u00e3o clara certeza de que criar \u00e9 literalmente arrancar com esfor\u00e7o bruto algo informe do\u00a0Kaos. Confesso que ambos me seduzem, o Kaos e o in ou dis-forme. Afinal, como Rita\u00a0Lee, sempre dediquei um carinho todo especial pelas mais negras das ovelhas.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDe cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria, em cada noite, descobrir um motivo razo\u00e1vel para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":3118,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[903,188,179,904,905],"class_list":["post-3110","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-voos-literarios","tag-caio-f","tag-caio-fernando-abreu","tag-jornalismo","tag-ovelhas-negras","tag-redacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3110\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}