{"id":3055,"date":"2017-11-25T21:55:27","date_gmt":"2017-11-25T23:55:27","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3055"},"modified":"2017-11-27T19:13:02","modified_gmt":"2017-11-27T21:13:02","slug":"critica-no-intenso-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=3055","title":{"rendered":"Cr\u00edtica &#8211; No Intenso Agora"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Como experi\u00eancia hist\u00f3rica que re\u00fane v\u00e1rios momentos cruciais em torno do ano de 1968, <strong><em>No Intenso Agora<\/em><\/strong>, novo filme de Jo\u00e3o Moreira Salles, traz para o centro de suas quest\u00f5es as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o das imagens registradas na \u00e9poca, no calor dos acontecimentos. <strong>Seguindo as informa\u00e7\u00f5es narrativas que o filme transmite, as imagens evocam express\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es de classe, de esperan\u00e7a, de ang\u00fastia, de desilus\u00e3o, de reviravoltas no jogo pol\u00edtico. O ponto de partida \u00e9 a imagem<\/strong>. Imagem que virou arquivo. Um filme absolutamente pessoal. No caso, registros da elite brasileira (em que esteve presente Elisa, m\u00e3e do cineasta) em visita \u00e0 China, em 1966, alimentaram nele o desejo do filme.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Que imagens surgem nos diferentes contextos, questiona Salles, da China mao\u00edsta, da Fran\u00e7a do maio de 68, das greves oper\u00e1rias e das revoltas estudantis, da ditadura militar brasileira e da Tchecoslov\u00e1quia quando da chegada dos tanques sovi\u00e9ticos que iriam interromper a Primavera de Praga?<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No Intenso Agora<\/em> ajeita, levanta e corta: o resultado est\u00e9tico dessas imagens carrega, para al\u00e9m do esp\u00edrito do tempo e da urg\u00eancia material delas, a estrutura moral e pol\u00edtica que permitiu a forma mais ou menos exata com que foram feitas. As imagens respondem a procedimentos dados pelas restri\u00e7\u00f5es locais. <strong>Segundo o diretor, o filme quer saber quem filma e como filma numa democracia, em uma ditadura ou em um pa\u00eds militarmente ocupado pelo estrangeiro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tens\u00e3o entre o <em>n\u00e3o saber o que se est\u00e1 filmando<\/em> \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o por vezes incontorn\u00e1vel a quem quer que se aventure com uma c\u00e2mera (das filmagens amadoras ao documentarista\/cineasta que tem no ato de filmar a sua profiss\u00e3o de f\u00e9), da\u00ed a dificuldade de, muitas vezes, e mesmo que o filme seja tamb\u00e9m sobre isso, estabelecer conex\u00f5es entre os registros expostos. Trabalhando com arquivo a partir de longa pesquisa, o filme costura estes acontecimentos para questionar os seus sentidos e significados, as suas express\u00f5es e seus gritos. Penso que h\u00e1 inclusive exageros de interpreta\u00e7\u00e3o (por exemplo, na cena da bab\u00e1 com as crian\u00e7as), mas eles tamb\u00e9m corroboram e insistem em escrever os seus sentidos, pois olhar imagens n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o provocar-lhes fissuras no ato mesmo de descrev\u00ea-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>O filme \u00e9 seu pr\u00f3prio cr\u00edtico<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 curioso que somos tentados, decerto exageradamente, a tra\u00e7ar paralelos, tamb\u00e9m eles, baseados em experi\u00eancias locais. Junho de 2013, por exemplo, junto de seus desdobramentos, uma vez que a ideia do filme \u00e9 anterior \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es. Este aspecto perfeitamente expl\u00edcito que o filme possui, seu car\u00e1ter de an\u00e1lise sistem\u00e1tica dado pelo narrador, permitem tamb\u00e9m o alargamento dessas rela\u00e7\u00f5es contextuais. O maio de 68 franc\u00eas, por seu turno, foi imaginativo e convocou certa pot\u00eancia, mas n\u00e3o conseguiu desestabilizar as superestruturas do poder, sendo inclusive domesticado por ele. O filme comenta isso ao mostrar a lida do governo franc\u00eas, na figura de Charles de Gaulle, com as manifesta\u00e7\u00f5es que tomavam Paris: o poder logo sufocou a revolta. Jo\u00e3o Moreira Salles percebe que falar sobre imagens num filme \u00e9 tamb\u00e9m criar outras <em>sobr<\/em>e elas, num processo de autorreflex\u00e3o visual continuado \u2013 e, talvez por isso mesmo, extremamente arriscado e delicado. Seu filme corajosamente toma o risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>***<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No Intenso Agora<\/em>, de Jo\u00e3o Moreira Salles (Brasil, 2017).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como experi\u00eancia hist\u00f3rica que re\u00fane v\u00e1rios momentos cruciais em torno do ano de 1968, No Intenso Agora, novo filme de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":3056,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[902,151,542,901,900],"class_list":["post-3055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pedro-henrique-gomes","tag-902","tag-cinema","tag-critica","tag-joao-moreira-salles","tag-no-intenso-agora"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3055"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3055\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}