{"id":2616,"date":"2017-09-29T18:02:42","date_gmt":"2017-09-29T21:02:42","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=2616"},"modified":"2017-09-30T13:19:07","modified_gmt":"2017-09-30T16:19:07","slug":"colo-de-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=2616","title":{"rendered":"Colo de m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Semana passada tive uma dor forte e acabei parando na emerg\u00eancia de um hospital. Deu tudo certo, fui liberada. <\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Mas o que chorei&#8230;<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro choro foi pela dor. Pra sair de casa na hora de fazer os guris dormirem pra ir num hospital no feriado, n\u00e3o era pouca coisa.\u00a0O segundo choro foi pensando neles, os filhos. Aquele medo de n\u00e3o ficar bem para estar com os filhos \u00e9 uma sombra assustadora.\u00a0O terceiro, bom, foram muitos mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas estava eu l\u00e1, quieta num canto, depois de fazer todos os exames e estar esperando acabarem a medica\u00e7\u00e3o na veia (dizer que \u00e9 na veia \u00e9 s\u00f3 pra perceberem o tempo que fiquei l\u00e1 esperando o Ping-Ping das gotas). Chegou uma mo\u00e7a quase desmaiada, amparada pelos pais. Os dois apavorados. Muito apavorados. As enfermeiras pediram para um dos dois sa\u00edrem. Saiu o pai.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>A filha pedia que a m\u00e3e apertasse sua barriga. Assim a dor aliviava<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>A m\u00e3e apertava a barriga e distribu\u00eda beijos<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Ai, aqueles beijos&#8230;<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vi a filha naquele sofrimento e pensei na dor dela. E na dor do menininho que tinha visto antes, chorando porque tinha o bra\u00e7o quebrado. Chorei disfar\u00e7adamente, pensando na dor dos filhos. Pensei naquela vontade que m\u00e3e tem de pegar a dor do filho pra si.\u00a0Olhei pra m\u00e3e que beijava. Os olhos dela carregados de l\u00e1grimas. Elas n\u00e3o desciam. A m\u00e3e n\u00e3o podia chorar, tinha que ser forte pra ajudar a filha.\u00a0Nesse instante ela envolveu a filha num abra\u00e7o. Beijou de novo. Ai, aquele beijo&#8230;<\/p>\n<p>.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>O choro disfar\u00e7ado deu lugar a um choro solto. A dor misturou com a saudade do colo da minha m\u00e3e. Ela faleceu quando eu tinha 40 anos. Aproveitei muito. Ganhei colo at\u00e9 os 40<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tudo que queria naquele momento era aquele colo. Aquele beijo. Aquele abra\u00e7o.\u00a0Fechei meus olhos pra chorar quietinha. Senti uma m\u00e3o segurando a minha. Ao meu lado, na emerg\u00eancia, tinha um senhor muito debilitado. 86 anos, alzheimer. Estava sem se alimentar. A filha acompanhava o pai.\u00a0Essa filha viu meu choro e foi ser minha m\u00e3e. Me deu abra\u00e7o e beijo, fez passar meu choro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca vou conseguir descrever qu\u00e3o bonito foi. Quando acalmei, me contou que a filha tinha ido morar na Holanda. Faz dois dias que foi. Ela me viu como filha, eu a vi como m\u00e3e. Aliviou nossas dores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semana passada tive uma dor forte e acabei parando na emerg\u00eancia de um hospital. Deu tudo certo, fui liberada. 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