{"id":2166,"date":"2017-07-28T16:59:35","date_gmt":"2017-07-28T19:59:35","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=2166"},"modified":"2017-07-29T14:17:22","modified_gmt":"2017-07-29T17:17:22","slug":"filhos-de-vidro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=2166","title":{"rendered":"Filhos de vidro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 chegando ao fim uma das experi\u00eancias mais ricas da minha vida. Desde fevereiro estamos morando na Alemanha. A cidade \u00e9 Erlangen. Pequena e universit\u00e1ria, um lugar tranquilo e bom demais pra viver em fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Chegamos aqui uns, vamos embora outros. Muita transforma\u00e7\u00e3o. Pra mim, a maior foi o aprendizado que tive com os pais\/m\u00e3es\/cuidadores\/professores alem\u00e3es. Sem d\u00favida. Eles criam as crian\u00e7as para serem independentes desde muito cedo<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Muito independentes, muito cedo. Claro, isso tem o lado bom e o lado ruim, como quase tudo na vida<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vi em duas situa\u00e7\u00f5es diferentes beb\u00eas de colo chorarem por um tempo imenso. Uma num \u00f4nibus. O beb\u00ea visivelmente incomodado no carrinho. Chorava copiosamente. A irm\u00e3 pequena ao lado, olhava pela janela como se nada tivesse acontecendo e nos premiava com um dos sorrisos mais doces que j\u00e1 vi. A m\u00e3e nada fazia. Nada mesmo. Pensei que n\u00e3o cabia a mim julgar. Visivelmente ela n\u00e3o dormia h\u00e1 dias. Ela parecia muito cansada. N\u00e3o sei o que ela estava passando. Se tinha problema como o marido, se perdera o emprego ou o que podia estar errado em sua vida. Tentei n\u00e3o julgar. Mas confesso que foi bem dif\u00edcil. Julguei, sim. N\u00e3o consigo pensar em deixar um beb\u00ea chorar por 30 minutos e n\u00e3o fazer nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A outra situa\u00e7\u00e3o foi numa pra\u00e7a. Uma cuidadora com tr\u00eas crian\u00e7as. Dois brincavam felizes e soltos na areia e o beb\u00ea no carrinho. Chorava muito. A cuidadora entregava uma p\u00e1 daquelas de brincar na areia. Ele parava de chorar por cinco segundos e\u00a0 recome\u00e7ava. Foi assim por umas duas horas. Usei todo meu auto-controle pra n\u00e3o me meter. T\u00e1, auto-controle e minha impossibilidade de argumentar em alem\u00e3o com uma senhora de seus sessenta anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Por outro lado, cheguei aqui com duas crian\u00e7as de vidro. Eles pensavam em cair e j\u00e1 est\u00e1vamos, meu marido e eu, dando colo e querendo impedir o sofrimento que poderia acontecer. <\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Super protetores<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprendemos a deixar que eles resolvam as coisas que pensamos eles t\u00eam capacidade pra resolver. E tentar. E errar. E pedir ajuda quando precisam. Aprendemos a confiar mais neles. Na for\u00e7a deles. Eles nos ensinaram um mont\u00e3o de coisas. S\u00e3o muito mais fortes do que jamais pensamos. N\u00e3o foram poucas as vezes em que quis chorar vendo meu filho com seus seis aninhos cair um tombo hom\u00e9rico da bicicleta sem rodinhas que ele usou pra aprender a andar aqui. Caiu, se machucou feio. A gente por perto. Ele ca\u00eda e j\u00e1 do ch\u00e3o nos dizia: t\u00f4 bem. Lindo, forte. Ensinando aos pais a ver o filho aprender a andar de bicicleta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa confian\u00e7a que os alem\u00e3es d\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as \u00e9 impressionante. Ensinaram aos nossos filhos, ensinaram principalmente aos pais dos nossos filhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 chegando ao fim uma das experi\u00eancias mais ricas da minha vida. Desde fevereiro estamos morando na Alemanha. 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