{"id":2053,"date":"2017-07-13T17:53:21","date_gmt":"2017-07-13T20:53:21","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=2053"},"modified":"2017-07-16T18:17:06","modified_gmt":"2017-07-16T21:17:06","slug":"o-rock-me-ajudou-entender-que-nao-ha-nada-de-errado-em-ser-gay","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=2053","title":{"rendered":"O rock me ajudou a entender que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado em ser gay"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Hoje \u00e9 o Dia do Rock. Um g\u00eanero musical agressivo, intenso e contestador, que recebeu ao longo das d\u00e9cadas in\u00fameras contribui\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o LGBT. Verdadeiros \u00edcones do rock eram\/s\u00e3o gays, l\u00e9sbicas, bissexuais e transexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrever sobre m\u00fasica \u00e9 um desafio para mim. \u00c9 uma \u00e1rea onde gente muito qualificada e especializada costuma fazer resenhas e an\u00e1lises. Definitivamente n\u00e3o \u00e9 minha zona de conforto. Eu estaria mais \u00e0 vontade descrevendo uma sess\u00e3o da Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a da C\u00e2mara dos Deputados do que falando sobre um show um g\u00eanero musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Ent\u00e3o tenham em mente que este texto n\u00e3o passa de um bocado de pitacos e sensa\u00e7\u00f5es de um apreciador de alguns estilos de rock e artistas. \u00c9 sobretudo um desabafo sobre como certas refer\u00eancias marcaram a minha vida e me ensinaram que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado em ser gay<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu primeiro contato com o rock foi ainda na inf\u00e2ncia. Quando eu ia para a casa do meu av\u00f4 materno e ficava garimpando seus vinis, me divertindo com as capas. Um dia ouvi Raul Seixas e me apaixonei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois descobri Legi\u00e3o Urbana na pr\u00e9-adolesc\u00eancia. A voz e as letras de Renato Russo impactaram profundamente a sensibilidade do jovem menino gay que eu estava descobrindo ser no interior do Rio Grande do Sul. A internet era muito rudimentar naquela \u00e9poca. Ent\u00e3o eu escutava os CDs (!) de Legi\u00e3o Urbana no Diskman (!!) e ia pausando as m\u00fasicas frase por frase para anotar as letras em um caderno que eu conservada apenas para isso. N\u00e3o tem como ser mais viado do que isso, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>A insinua\u00e7\u00e3o da bissexualidade em \u201cMeninos e Meninas\u201d, o mist\u00e9rio envolvendo a figura de Jo\u00e3o Roberto em \u201cDezesseis\u201d e tantos outros sentimentos transmitidos pelas m\u00fasicas de Renato Russo dialogavam muito com quem eu era \u2013 ou estava descobrindo ser \u2013 naquele momento<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo descobri tamb\u00e9m Cazuza, que desatou uma pot\u00eancia revolucion\u00e1ria em minha vida. Lembro que estava no Ensino M\u00e9dio na \u00e9poca e fui com a escola ver o filme do Cazuza no cinema. Sa\u00ed mal disfar\u00e7ando o choro, mas n\u00e3o podia comentar nada em casa. Falar sobre um roqueiro gay que morreu de Aids era um imenso tabu na minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 incr\u00edvel como uma coisa vai levando a outra. Com Cazuza veio C\u00e1ssia Eller e toda sua malandragem. A for\u00e7a daquela mulher l\u00e9sbica que desafiava os padr\u00f5es que a sociedade imp\u00f5e a tudo que \u00e9 considerado feminino me impressionou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00eas devem ter percebido, meu contato com o rock \u2013 e especificamente com o rock protagonizado por LGBTs \u2013 veio atrav\u00e9s da m\u00fasica brasileira. As influ\u00eancias internacionais chegaram um pouco depois, no final da adolesc\u00eancia. Mas vieram com tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o fosse homossexual, nem tivesse m\u00fasicas de alguma forma relacionadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT, Jim Morrison foi a grande paix\u00e3o plat\u00f4nica da minha juventude. Sem d\u00favida The Doors \u00e9 uma banda especial para mim. S\u00f3 por isso incluo sua refer\u00eancia em um texto que deveria ser exclusivo para \u00edcones do universo LGBT. Me perdoem, eu n\u00e3o resisto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Poderia citar ainda muitas outras influ\u00eancias do mundo do rock que me ajudaram a aceitar quem eu sou. David Bowie foi fundamental. Sua figura an\u00e1rquica mais confundia do que explicava. Freddie Mercury era uma alegria para meus ouvidos<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas estas influ\u00eancias foram cruciais na minha forma\u00e7\u00e3o pessoal e cultural e em meu processo de conhecimento sexual. \u00c9 evidente que eu n\u00e3o bebi apenas dessas fontes. Afinal, n\u00e3o escutava apenas rock. O pop e a MPB tamb\u00e9m sempre estiveram muito presentes na minha vida. Mas era o rock que apelava a um instinto mais combativo. Era o rock que me induzia a acreditar que eu n\u00e3o precisava me desdobrar em explica\u00e7\u00f5es sobre quem eu era. Sobre por que eu era. Sobre at\u00e9 quando eu iria ser. E por isso eu serei sempre grato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Foto: Cazuza e seu amigo Kiki, nos anos 1980 \/ Imagem dos arquivos de Tavinho Paes.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 o Dia do Rock. 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