{"id":1802,"date":"2017-06-03T23:56:36","date_gmt":"2017-06-04T02:56:36","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1802"},"modified":"2017-06-03T23:59:19","modified_gmt":"2017-06-04T02:59:19","slug":"todos-os-horrores-do-presidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1802","title":{"rendered":"Todos os horrores do presidente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Rever <em>Todos os Homens do Presidente<\/em>, filme de Alan J. Pakula sobre a investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica conduzida pelos rep\u00f3rteres Carl Bernstein e Bob Woodward e que resultou na ren\u00fancia do ent\u00e3o presidente Nixon, n\u00e3o \u00e9 menos que iluminador. O leitor ao certo conhece o caso Watergate: a deten\u00e7\u00e3o de 5 homens que tentavam instalar escutas e fotografar documentos a mando dos Republicanos na sede dos Democratas, em junho de 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Corria a campanha que culminaria na reelei\u00e7\u00e3o de Nixon. Ele sabia dos grampos. Nixon renunciaria dois anos depois e acabaria generosamente anistiado por seu sucessor Gerald Ford, ent\u00e3o vice-presidente. Pakula filmou a rotina dos jornalistas dentro do <em>thriller<\/em> de conspira\u00e7\u00e3o, de tramas subterr\u00e2neas, de informantes, de homens que sabem mais que outros, de poder e dinheiro, de mentira, de blefe; filma, claro, rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a. O mundo \u00e9 este de sangue e viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Junto com <em>Klute<\/em> (1971) e <em>A Trama<\/em> (1974), comp\u00f5e a \u201ctr\u00edplice coroa da paranoia\u201d de Pakula. Filmes de conspira\u00e7\u00e3o e compl\u00f4, assassinatos pol\u00edticos e obsess\u00f5es de indiv\u00edduos diante de acontecimentos p\u00fablicos foram algo comuns a partir dos anos 1960 e 70 no cinema americano. O assassinato de Kennedy em 1963, filmado por Abraham Zapruder, teria sido a imagem detonadora da <em>fic\u00e7\u00e3o paran\u00f3ica<\/em>, que legaria, al\u00e9m dos filmes de Pakula, <em>A Conversa\u00e7\u00e3o<\/em>, de 1974, de Francis Ford Coppola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A paranoia est\u00e1 sempre a nos rondar, seja como forma, seja como ideologia. Surge de um acontecimento factual, mais ou menos verdadeiro, e se desenvolve <em>ad infinituum<\/em> na mente do paranoico. No cinema, frequentemente s\u00f3 cessa com a morte do paranoico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O recente e atual clima pol\u00edtico brasileiro, em forma e ideologia, abre espa\u00e7o a toda sorte de maquina\u00e7\u00f5es conspiracionistas. As teses de compl\u00f4s pol\u00edticos, para l\u00e1 e para c\u00e1, pululam nos <em>media. <\/em>Em meio ao caos, aos <em>fake news<\/em>, ao fla-flu polarizador, \u00e9 ir\u00f4nico que o fim do jornalismo seja, como todos os anunciados \u201cfins\u201d, ele tamb\u00e9m um embuste. Antes do que nunca, agora \u00e9 preciso mais jornalismo, mais investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, mais apura\u00e7\u00e3o. A tecnologia e seus usos pelas <em>for\u00e7as pol\u00edticas da riqueza<\/em> engendraram novas estruturas de domina\u00e7\u00e3o, controle e manuten\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie civilizacional que nos acomete. Para derrubar um corrupto, parafraseando uma alegoria dos anos 1960, \u00e9 tamb\u00e9m preciso que o jornalismo volte a ser perigoso. Se um dia o foi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rever Todos os Homens do Presidente, filme de Alan J. 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