{"id":1554,"date":"2017-05-08T17:51:14","date_gmt":"2017-05-08T20:51:14","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1554"},"modified":"2017-05-08T18:09:45","modified_gmt":"2017-05-08T21:09:45","slug":"five-came-back","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1554","title":{"rendered":"Five Came Back"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Enquanto acompanhamos, sem norte, o lama\u00e7al acachapante da nossa pol\u00edtica (n\u00e3o s\u00f3 a nossa), de minha parte resta algum ref\u00fagio mental nos filmes. N\u00e3o que isso implique facilidades ou conforto. Ao nos movermos por entre imagens, tamb\u00e9m nos perdemos nelas &#8211; talvez em consequ\u00eancia delas, por elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Passei a \u00faltima semana assistindo os document\u00e1rios que o filme <em>Five Came Back<\/em> (produzido pela Netflix e narrado por Meryl Streep) menciona, realizados por grandes cineastas americanos como propaganda governamental da guerra: John Ford, Frank Capra, George Stevens, William Wyler e John Huston. O document\u00e1rio, dirigido por Laurent Bouzereau, em tr\u00eas epis\u00f3dios, pune o espectador com o modo\u00a0Netflix de narrar\u00a0o mundo, rigorosamente quadrado\u00a0e superficial (as falas dos contempor\u00e2neos Steven Spielberg e Francis Ford Coppola, por exemplo, s\u00e3o meramente publicit\u00e1rias). Mas o interessante \u00e9, ap\u00f3s ver o filme de Bouzereau, encarar a maratona dos trabalhos que ele cita (que a Netflix incluiu em seu cat\u00e1logo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 havia visto os filmes de Capra e Wyler, mas n\u00e3o os outros. Artilharia pesada, os filmes se inserem no aparato formal da guerra, sua estrutura e sua t\u00e9cnica. No conjunto, representam e oferecem ampla vis\u00e3o sobre a forma\u00e7\u00e3o dos discursos, das narrativas e, claro, do olhar de cada cineasta sobre os objetos que filmam: a morte, a destrui\u00e7\u00e3o, a Hist\u00f3ria em luta. \u00c9 sabido que, em regimes fechados ou abertos, o Estado geralmente fez uso do cinema como propaganda. At\u00e9 mesmo &#8220;propaganda&#8221; \u00e9 um termo que pode soar vago a luz de leituras mais sofisticadas sobre os efeitos pol\u00edticos de um filme e sua rela\u00e7\u00e3o com os espectadores. Mas deixamos esse debate para outro momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a guerra merece ser filmada, se h\u00e1 coisas que s\u00e3o represent\u00e1veis ou irrepresent\u00e1veis, a estas preocupa\u00e7\u00f5es os filmes n\u00e3o se apegaram. A propaganda anti-nazi passava por filmar as atrocidades cometidas pelos nazistas (dezenas de campos de concentra\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, campos de exterm\u00ednio); ou pelos italianos e japoneses. O filme de George Stevens, <em>Nazi Concentration Camps<\/em>, por exemplo, \u00e9 muito duro: vai aos campos filmar os corpos soterrados, os resgates, as miss\u00f5es do ex\u00e9rcito americano. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o, documental por excel\u00eancia (estamos nos anos 1940, momento en\u00e9rgico para a tradi\u00e7\u00e3o realista no cinema), em captar a realidade tal como ela se apresenta. Para entender Hollywood, temos que ir ao encontro de suas imagens mais contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o sei se resumo bem, mas a hip\u00f3tese de <em>Five Came Back<\/em>, constru\u00edda a partir dos filmes que menciona, \u00e9 que ao filmar os dispositivos de destrui\u00e7\u00e3o de vidas que desembocaram nas duas Grandes Guerras, o que os cineastas estavam fazendo era participar simb\u00f3lica e operacionalmente dos conflitos, ajudando a construir o seu imagin\u00e1rio, a formular as suas narrativas centrais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto acompanhamos, sem norte, o lama\u00e7al acachapante da nossa pol\u00edtica (n\u00e3o s\u00f3 a nossa), de minha parte resta algum ref\u00fagio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":1561,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-1554","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pedro-henrique-gomes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1554"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1554\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1561"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}