{"id":1542,"date":"2017-05-04T16:18:57","date_gmt":"2017-05-04T19:18:57","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1542"},"modified":"2017-05-04T17:48:11","modified_gmt":"2017-05-04T20:48:11","slug":"acolher-e-prevenir-precisamos-falar-sobre-suicidio-entre-jovens-lgbts","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1542","title":{"rendered":"Acolher e prevenir: precisamos falar sobre suic\u00eddio entre jovens LGBTs"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Falar sobre suic\u00eddio \u00e9 algo extremamente delicado. N\u00e3o sou um profissional capacitado para lidar com este tipo de situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o quero escrever cartilhas ou dar li\u00e7\u00f5es. Quero falar sobre experi\u00eancia e acolhimento. Em tempos de correntes perversas nas redes sociais e seriados que dialogam \u2013 ainda que de forma problem\u00e1tica \u2013 com o tema, acredito ser oportuno jogar luzes sobre um dos grupos que mais sofrem com isso.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Jovens homossexuais fazem parte de grupo de risco<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o precisamos de pesquisas para saber que os jovens LGBTs est\u00e3o muito mais suscet\u00edveis a cometer suic\u00eddio do que jovens heterossexuais e cisg\u00eaneros. Mas n\u00e3o custa nada lembrar. Um estudo de 1998<strong>[1]<\/strong>, com mais de 4 mil estudantes do estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, verificou que a taxa de tentativas de suic\u00eddio era de 35,3% em jovens homossexuais e 9,9% em alunos heterossexuais. Outra pesquisa<strong>[2]<\/strong>, da mesma \u00e9poca, ouviu jovens de uma escola p\u00fablica de Minnesota, constatando que 28,1% dos estudantes gays e bissexuais j\u00e1 tentaram tirar a pr\u00f3pria vida, contra 4,2% de seus colegas heterossexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo mais recente, da <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/Common\/0,,EMI226806-17770,00-JOVENS+HOMOSSEXUAIS+TEM+MAIS+TENDENCIA+AO+SUICIDIO+DIZ+ESTUDO.html\">Universidade de Columbia<\/a>, entrevistou 32 mil alunos de escolas p\u00fablicas nos Estados Unidos, entre 13 e 17 anos. Os resultados foram alarmantes: os jovens LGBTs t\u00eam uma tend\u00eancia ao suic\u00eddio cinco vezes maior que os heterossexuais.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;O ambiente escolar, para mim, sempre foi uma m\u00e1quina de moer carne de\u00a0viado (sic)&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00fameros que demonstram uma realidade cruel. J\u00e1 fui um jovem homossexual com muitos conflitos e passei por poucas e boas. Na verdade, por muitas e nem t\u00e3o boas assim. O ambiente escolar, para mim, sempre foi uma m\u00e1quina de moer carne de viado. Um lugar onde as crian\u00e7as e os adolescentes reproduzem todos os preconceitos que aprendem em suas fam\u00edlias, muitas vezes atrav\u00e9s de \u201cpiadas\u201d e \u201cbrincadeiras\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se isso n\u00e3o fosse o bastante, ainda h\u00e1 um completo despreparo das dire\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas para lidar com a diversidade. Para estender a m\u00e3o a quem precisa de acolhimento. Pode ser que muita coisa tenha mudado desde os meus tempos de col\u00e9gio. Pode ser, tamb\u00e9m, que as condi\u00e7\u00f5es concretas da minha realidade tenham sido mais duras. Afinal de contas, a experi\u00eancia de um aluno de escola p\u00fablica no interior do Rio Grande do Sul, como foi o meu caso, n\u00e3o \u00e9 a mesma de um estudante de uma Capital. Mas o preconceito n\u00e3o conhece fronteiras. Pode ser mais escrachado em uma regi\u00e3o e mais velado em outra, mas est\u00e1 em todos os lugares.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>A escola\u00a0como local de acolhimento<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">As escolas deveriam ser um ref\u00fagio para os jovens LGBTs, que na maioria dos casos enfrentam uma opress\u00e3o di\u00e1ria em suas pr\u00f3prias fam\u00edlias. O meu \u00fanico ref\u00fagio era a biblioteca, longe do conv\u00edvio com os outros alunos. Por \u201cconv\u00edvio\u201d, entenda-se: bullying, persegui\u00e7\u00e3o e agress\u00f5es. E n\u00e3o estou nem falando da adolesc\u00eancia. Quando uma crian\u00e7a na terceira s\u00e9rie implora \u00e0 sua m\u00e3e para trocar de col\u00e9gio por bullying homof\u00f3bico, sabemos que o sistema est\u00e1 falido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizmente, na juventude, tive contato virtual com ONGs e entidades que lutam por nossos direitos. Entendi que n\u00e3o havia nada de errado comigo e que o problema era o preconceito. Mas muitos n\u00e3o t\u00eam esta sorte ou esta possibilidade de acesso a informa\u00e7\u00f5es e de esclarecimento. A escola, especialmente a escola p\u00fablica e pretensamente laica, deveria cumprir este papel. O papel de informar, educar para a diversidade, combater condutas opressivas por um vi\u00e9s pedag\u00f3gico, acolher v\u00edtimas de viol\u00eancias praticadas dentro de seus muros e iniciar um processo positivo de mudan\u00e7a na conduta de agressores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como disse no in\u00edcio, n\u00e3o sou especialista e n\u00e3o tenho a receita para que isso aconte\u00e7a. Mas tenho algumas pistas. Uma mudan\u00e7a positiva certamente passa pela inclus\u00e3o de disciplinas relacionadas \u00e0 diversidade sexual e de g\u00eanero nas licenciaturas que formam nossos professores e pedagogos. E na inclus\u00e3o deste tema nos pr\u00f3prios curr\u00edculos escolares \u2013 na contram\u00e3o de tudo que vimos nos \u00faltimos anos no Brasil, quando um conservadorismo assassino inventou um inimigo imagin\u00e1rio chamado \u201cideologia de g\u00eanero\u201d e retirou este debate dos planos municipais de educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds inteiro.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida &#8211; a ajuda est\u00e1 a um telefonema de dist\u00e2ncia<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea est\u00e1 lendo este texto e precisa de ajuda, procure o Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida mais pr\u00f3ximo. O CVV est\u00e1 espalhado em diversas cidades brasileiras e atende 24 horas de forma gratuita tamb\u00e9m pelo telefone. Em Porto Alegre, o n\u00famero \u00e9 184.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Site do CVV: <a href=\"http:\/\/www.cvv.org.br\/\">http:\/\/www.cvv.org.br\/<\/a><br \/>\nBusque a unidade mais pr\u00f3xima de voc\u00ea: <a href=\"http:\/\/www.cvv.org.br\/postos-de-atendimento.php\">http:\/\/www.cvv.org.br\/postos-de-atendimento.php<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[1]<\/strong>GAROFALO, R. et al. The Association between health risk behaviors and sexual orientation among a school-based sample of adolescents. Pediatrics, Elk Grove Village, Illinois, US, v. 101, p. 895-902, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[2]<\/strong>REMAFEDI, G. et al. The relationship between suicide risk and sexual orientation: results of a population-based study. American Journal of Public Health, Birmingham, AL, v. 88, n. 1, p. 57-60, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Foto: <a href=\"http:\/\/foto.espm.br\/index.php\/sem-categoria\/o-legado-de-francesca-woodman\/\">Francesca Woodman<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar sobre suic\u00eddio \u00e9 algo extremamente delicado. N\u00e3o sou um profissional capacitado para lidar com este tipo de situa\u00e7\u00e3o. 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