{"id":1471,"date":"2017-04-28T16:36:59","date_gmt":"2017-04-28T19:36:59","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1471"},"modified":"2017-04-28T16:36:59","modified_gmt":"2017-04-28T19:36:59","slug":"critica-rastro-de-maldade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1471","title":{"rendered":"Cr\u00edtica &#8211; Rastro de Maldade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A passagem da tranquilidade ao caos \u00e9 o elemento detonador do conflito. Quando a esposa de um habitante (combalido) \u00e9 levada por uma tribo de canibais, o xerife da cidade (Kurt Russell) mobiliza um pequeno grupo em busca de resgat\u00e1-la. Os personagens s\u00e3o cansados, de falas arrastadas, alguns impacientes, outros j\u00e1 andam com idade avan\u00e7ada ou est\u00e3o debilitados de algum modo \u2013 e n\u00e3o h\u00e1 muitos deles. A miss\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Na tradi\u00e7\u00e3o do g\u00eanero, nunca \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Filme que passou em branco nos cinemas (chegou aqui diretamente <em>em streaming<\/em>), <em>Rastro de Maldade<\/em> segue a cartilha cl\u00e1ssica do <em>western<\/em> e busca a renovar, embora essa renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja sempre fluida e bem organizada, se escorando e dependendo, por vezes demais, dos c\u00f3digos do g\u00eanero. A viol\u00eancia que mostra, desde o primeiro plano, n\u00e3o \u00e9 novidade no faroeste, embora o cineasta Craig Zahler, neste que \u00e9 o seu primeiro filme como diretor, tenha ambi\u00e7\u00f5es um tanto mais literais ao filmar corpos sendo partidos ao meio a base de machadadas. \u00c9 um universo que proporciona essa liberdade, este o do faroeste: o deserto montanhoso e isolado, o sil\u00eancio do vento e a sensa\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a e preserva\u00e7\u00e3o da calmaria local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O filme j\u00e1 inicia partindo desse rompimento do sossego do vilarejo. Roubos, mortes e sequestros acontecem (desconfiam de \u00edndios). Mas s\u00e3o poucos os espa\u00e7os que existem no filme, sendo a a\u00e7\u00e3o concentrada a uma pris\u00e3o, duas ou tr\u00eas casas e a trilha rumo ao resgate. A concis\u00e3o do espa\u00e7o resulta em tens\u00e3o ao longo do tempo, pois o filme captura bem os ambientes e os personagens. Mas mesmo que tente incluir elementos do mais puro cinema de horror para escapar das responsabilidades morais do g\u00eanero (pois o horror comporta mais as hip\u00e9rboles do que o <em>western<\/em>), os seus personagens precisam responder aos c\u00f3digos, precisam preencher as lacunas estruturais do roteiro e, sobretudo, devem morrer na hora certa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se cada filme \u00e9 um tratado sobre o cinema e, embora seja dedicado na constru\u00e7\u00e3o do tempo de cada sequ\u00eancia e na descri\u00e7\u00e3o do quanto \u00e9 complicado tomar uma decis\u00e3o (sempre \u00e9), o filme \u00e9 certamente conservador ao insistir na vilania de \u201ctribos\u201d, bem e mal corporificados naquele que \u00e9 incivilizado. A hist\u00f3ria do <em>western<\/em> foi erigida em torno de muitos valores que n\u00e3o possuem dimens\u00e3o alguma no filme de Zahler, aparecendo enterrados na sua preocupa\u00e7\u00e3o (justa) por criar um filme que pudesse transitar livremente entre g\u00eaneros. Mas o tr\u00e2nsito n\u00e3o se d\u00e1 sem atropelamentos. A filia\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero se d\u00e1 mais pela via de um pastiche tarantinesco do que pela assimila\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria hist\u00f3ria <em>cinematogr\u00e1fica<\/em> do western.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bone Tomahawk, de S. Craig Zahler, EUA, 2015. Com Kurt Russell, Richard Jenkins, Matthew Fox, Patrick Wilson, Lili Simmons.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A passagem da tranquilidade ao caos \u00e9 o elemento detonador do conflito. 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