{"id":1218,"date":"2017-03-29T20:47:47","date_gmt":"2017-03-29T23:47:47","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1218"},"modified":"2017-03-29T23:07:06","modified_gmt":"2017-03-30T02:07:06","slug":"brasil-x-paraguai-o-bicha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1218","title":{"rendered":"Brasil x Paraguai: &#8220;\u00d4, bicha!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Jonatha Bittencourt, jornalista<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arena Corinthians, 28 de mar\u00e7o de 2017. Pouco mais de 40 mil pessoas foram ao est\u00e1dio para acompanhar mais um cl\u00e1ssico do futebol sul-americano: Brasil e Paraguai, jogo v\u00e1lido pelas Eliminat\u00f3rias da Copa do Mundo de 2018, na R\u00fassia.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Dentro de campo: tr\u00eas a zero para a sele\u00e7\u00e3o canarinho com direito a classifica\u00e7\u00e3o para a Copa. Fora dele: mais uma derrota<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPerdi as contas de quantas vezes o goleiro paraguaio foi alvo de xingamentos homof\u00f3bicos. Sa\u00ed de l\u00e1 com o est\u00f4mago embrulhado. A cada tiro de meta, um &#8220;\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4&#8230;&#8221; surgia como se fosse um murm\u00fario em meio \u00e0 multid\u00e3o. O grito ganhava for\u00e7a e, assim que o jogador advers\u00e1rio tocava na bola, um estrondoso &#8220;bicha&#8221; ecoava pela Arena Corinthians.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou acostumado a ir a jogos de futebol e como estava a passeio em S\u00e3o Paulo pensei que seria uma boa oportunidade para ver pela primeira vez a sele\u00e7\u00e3o do meu pa\u00eds entrar em campo. Mas sa\u00ed com o cora\u00e7\u00e3o ferido. O relativo bom futebol dentro das quatro linhas do gramado e a estrutura interessante da Arena n\u00e3o serviram para muita coisa, n\u00e3o.<\/p>\n<p>O locutor do est\u00e1dio usou duas vezes o microfone para recomendar \u00e0 torcida que n\u00e3o dirigisse ofensas aos jogadores do Paraguai. Nas duas \u00fanicas ocasi\u00f5es, a vaia surgiu como resposta ensurdecedora. Ousei aplaudir, o que deixou algumas pessoas constrangidas ao meu redor.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Na garganta, um grito entalado: &#8220;SOU BICHA, MAS N\u00c3O TE DEI O DIREITO DE ME USAR COMO VAIA. V\u00ca SE ME RESPEITA!&#8221;<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAfinal de contas, fui equiparado a uma vaia, a um xingamento. Na vis\u00e3o de consider\u00e1vel parte da torcida, classificar o goleiro como &#8220;bicha&#8221;, um gay, era deprecia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos os dias, apesar das conquistas baseadas em muita luta, l\u00e1grimas e sangue, o Brasil perde ao discriminar LGBTs. Est\u00e1dios de futebol, alguns com maior evid\u00eancia nesse sentido, continuam sendo um recanto intocado de discrimina\u00e7\u00e3o. Um lugar para extravasar o \u00f3dio com o aval de milhares ao redor.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a que assistia calada os coros de &#8220;bicha&#8221; porque seu pai n\u00e3o gritava junto passou a insultar o goleiro assim que ouviu, bem ao seu lado, algu\u00e9m muito familiar vaiar o locutor que clamava por respeito.\u00a0E assim caminha a humanidade. E assim funciona a m\u00e1quina do preconceito, da dor, da exclus\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"yj6qo ajU\">\n<div id=\":1js\" class=\"ajR\" tabindex=\"0\" data-tooltip=\"Mostrar conte\u00fado cortado\"><img decoding=\"async\" class=\"ajT\" src=\"https:\/\/ssl.gstatic.com\/ui\/v1\/icons\/mail\/images\/cleardot.gif\" \/><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Jonatha Bittencourt, jornalista Arena Corinthians, 28 de mar\u00e7o de 2017. 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