{"id":1066,"date":"2017-03-16T11:00:10","date_gmt":"2017-03-16T14:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1066"},"modified":"2017-03-16T11:00:10","modified_gmt":"2017-03-16T14:00:10","slug":"o-que-eu-aprendi-com-o-tinder-em-um-ano-de-solteirice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1066","title":{"rendered":"O que eu aprendi com o Tinder em um ano de solteirice"},"content":{"rendered":"<p>Em fevereiro minha solteirice mais recente completou um ano. Eu n\u00e3o tinha ideia do que significava estar solteiro na era dos relacionamentos intermediados por aplicativos. Muita coisa mudou no mundo durante os quatro anos em que estive comprometido. No campo das rela\u00e7\u00f5es sociais, talvez nada tenha mudado com tanta intensidade como a forma como as pessoas se conhecem hoje em dia.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2012, quando comecei o relacionamento que teria fim no ano passado, ainda n\u00e3o existia o Tinder. Passei quatro anos sem nenhum tipo de contato com essa tecnologia. N\u00e3o demorou muito para que eu descobrisse que a minha forma de ser solteiro no per\u00edodo pr\u00e9-2012 era completamente ultrapassada. Na melhor das hip\u00f3teses, era ing\u00eanua. Na minha \u00e9poca &#8211; l\u00e1 vem o idoso de 28 anos &#8211; a principal plataforma digital para relacionamentos gays era o famoso chat do Terra. Mais especificamente, a sala Eles&amp;Eles.<\/p>\n<p>Mergulhei no mundo dos aplicativos de relacionamentos atra\u00eddo pela expectativa de desvendar os c\u00f3digos da solteirice contempor\u00e2nea. Ap\u00f3s um ano como usu\u00e1rio <del datetime=\"2017-03-16T13:44:13+00:00\">ass\u00edduo<\/del>, posso me atrever a tecer alguns coment\u00e1rios a respeito destes curiosos habitats.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, eu acho incr\u00edvel como aplicativos como o Tinder nos transformam em marqueteiros de n\u00f3s mesmos. Precisamos construir uma imagem coerente com os objetivos que queremos alcan\u00e7ar, sejam eles amizade, sexo casual, fetiches ou relacionamentos monog\u00e2micos. Qualquer que seja a proposta, precisamos construir uma imagem de n\u00f3s mesmos que, em tese, nos ajude a concretiz\u00e1-la. Este esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e9 necessariamente artificial, embora sua repeti\u00e7\u00e3o possa torn\u00e1-lo, no m\u00ednimo, autom\u00e1tico e frio.<\/p>\n<p>Em um segundo momento, ca\u00ed numa ilus\u00e3o que acredito ser comum a todos os iniciantes: a de que ter um <em>match<\/em> significa ser correspondido. Na verdade eu ainda n\u00e3o sei o que significa ter um <em>match<\/em>. Mas sei que n\u00e3o significa necessariamente reciprocidade, como a ideia destes aplicativos parece sugerir. E n\u00e3o falo isso para sentir pena de mim mesmo. J\u00e1 deixei de corresponder tanto quanto n\u00e3o fui correspondido. Com o tempo fui aprendendo que estas coisas simplesmente acontecem. S\u00e3o definidas por circunst\u00e2ncias e percep\u00e7\u00f5es, n\u00e3o necessariamente por maldades ou mesquinharias.<\/p>\n<p>Em um ano interagindo com pessoas atrav\u00e9s destes aplicativos, j\u00e1 vivenciei uma penca de encontros que renderiam \u00f3timas hist\u00f3rias. Conheci muitos caras e me surpreendi de diferentes formas. Acabei me metendo em algumas furadas, mas tamb\u00e9m cheguei a fazer at\u00e9 amizades &#8211; pelo menos uma boa amizade apareceu para mim pelo Tinder.<\/p>\n<p>Para sobreviver nesta nova forma de ser solteiro, precisei entender que estes aplicativos n\u00e3o podem ser o centro da minha solteirice. Que a vida \u00e9 muito mais din\u00e2mica do que um jogo de <em>likes<\/em> e <em>matches<\/em> e que a troca de olhares e sorrisos ao acaso ainda vale para alguma coisa, felizmente.<\/p>\n<p><em>Foto: <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/66944824@N05\/14837259957\" target=\"_blank\">Denis Bocquet\/Flickr<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em fevereiro minha solteirice mais recente completou um ano. 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