{"id":1034,"date":"2017-03-10T19:48:33","date_gmt":"2017-03-10T22:48:33","guid":{"rendered":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1034"},"modified":"2017-03-10T19:48:33","modified_gmt":"2017-03-10T22:48:33","slug":"hell-or-high-water","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vos.homolog.arsnova.work\/?p=1034","title":{"rendered":"Hell or high water"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Antes de me voltar para uns filmes de modo mais detido, preciso ainda escrever sobre alguns outros. N\u00e3o consegui assistir a todos os filmes da \u201c<em>awards season<\/em>\u201d, portanto esbo\u00e7o abaixo algumas palavras sobre alguns deles \u2013 enquanto j\u00e1 h\u00e1 outros chegando, pois neste final semana estaremos em peregrina\u00e7\u00e3o para assistir <em>Sil\u00eancio<\/em>, do Martin Scorsese, e <em>Personal Shopper<\/em>, do Olivier Assayas, e <em>O Apartamento<\/em>, de Asghar Farhadi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A Qualquer Custo<\/strong>, de David Mackenzie<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O cen\u00e1rio \u00e9 o sul dos Estados Unidos. Texas, claro. Jeff Bridges interpreta o xerife. Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) roubam bancos para constitu\u00edrem um patrim\u00f4nio (uma lembran\u00e7a de que a luta de classes no velho oeste \u00e9 a luta pela propriedade da terra). O filme mostra que os bancos, ap\u00f3s tomarem as terras, dominam e controlam a economia local. Chegaram com viol\u00eancia, expulsaram os povos ind\u00edgenas, tomaram conta das terras. Portanto, a domina\u00e7\u00e3o territorial\/espacial \u00e9 um elemento da a\u00e7\u00e3o de <em>A Qualquer Custo<\/em> \u2013 e de seus dramas tamb\u00e9m. Mackenzie o faz com aten\u00e7\u00e3o especial aos espa\u00e7os (isto \u00e9, aos enquadramentos). Os espa\u00e7os, no cinema, aprofundam tens\u00f5es, distendem o tempo, provocam ang\u00fastias e maravilhamentos. N\u00e3o assisti aos seus filmes anteriores, mas o cineasta demonstra conhecer o riscado. Eis o lema que seus personagens carregam: roubar dos ricos e dar a n\u00f3s, os que precisamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Aliados<\/strong>, de Robert Zemeckis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O CGI francamente debochado, o <em>chroma key<\/em> escandaloso, a atmosfera retida ao que \u00e9 essencial ao movimento do filme, este <em>Aliados<\/em> \u00e9 um del\u00edrio. Mesmo que seja para roubar um pouco de Raoul Walsh aqui, um pouco de Lubitsch ali, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil (tentar) ser cl\u00e1ssico. Zemeckis est\u00e1 plenamente consciente dos artif\u00edcios que utiliza para manipular narrativamente o seu filme e, ao mesmo tempo em que inscreve seu filme dentro da <em>tradi\u00e7\u00e3o,<\/em> \u00e9 muito livre para criar uma a\u00e7\u00e3o visualmente muito interessante e uma hist\u00f3ria de amor que encerra o caso de maneira a honrar os seus personagens. Uma mistura honesta de drama amoroso, filme pastiche de guerra e filme de a\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica (voc\u00eas viram a cena do parto em meio aos bombardeios?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Lion \u2013 Uma Jornada Para Casa<\/strong>, de Garth Davis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Incr\u00edvel como um filme desaba totalmente ap\u00f3s cada minuto de proje\u00e7\u00e3o, principalmente na segunda fase da vida do protagonista (a segunda parte do filme). Mesmo antes, nota-se que a m\u00e3o \u00e9 pesada, o filme teima em seguir uma cartilha jornal\u00edstica sub-sens\u00edvel que n\u00e3o consegue articular as suas sensibilidades dram\u00e1ticas. As tend\u00eancias estruturais se manifestam desreguladas, impedindo que mesmo a subst\u00e2ncia mais elementar para que o filme funcione, a emo\u00e7\u00e3o, se veja jogada numa montagem e principalmente numa encena\u00e7\u00e3o que impedem que o filme aconte\u00e7a. O \u00e1pice do filme \u00e9 a descoberta da casa atrav\u00e9s de imagens de sat\u00e9lite do Google. Uma reportagem escrita teria melhor sorte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Manchester \u00e0 Beira-mar<\/strong>, de Kenneth Lonergan<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esperto ao filmar conversas, Kenneth Lonergan faz com que as melhores cenas de seu filme sejam aquelas em que uma tens\u00e3o se cria de maneira autocontida. O cineasta sabe filmar esse di\u00e1logos mais duros travados pelos personagens pois n\u00e3o precisa fazer muito e, ao mesmo tempo, n\u00e3o pode simplesmente deix\u00e1-los a pr\u00f3pria sorte. Mas ele encontra a medida e seu filme ent\u00e3o flui &#8211; no entanto, c\u00e1 entre n\u00f3s, os <em>flashbacks<\/em> ainda me parecem deslocados no filme, puramente repetitivos. N\u00e3o interrompe a conversa e a melancolia que rebate daquele espa\u00e7o frio e cinzento d\u00e1 for\u00e7a ao filme.\u00a0Vale acompanhar o pr\u00f3ximos passos do cinema de Lonergan.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de me voltar para uns filmes de modo mais detido, preciso ainda escrever sobre alguns outros. 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